O Poeta é a pimenta do planeta: Assaltaram a Gramática

Assaltaram a Gramática
Assassinaram a Lógica
Huuumm!
Botaram Poesia
Na bagunça do dia-a-dia...

Assaltaram a Gramática é o nome de uma música (W Sailormoon e Lulu Santos) e de um curta (Ana Maria Magalhães) de 13 minutinhos, de 1984, cativante e bem humorado, com participação dos poetas Francisco Alvim, Paulo Leminski, Waly Salomão, Chacal , Ana Cristina César e não precisa mais nada pra ser demais.

Ótimos textos, além da emoção de ver toda essa trupe da geração de 70 que inventou e reinventou o solo tupiniquim que a gente pisa e aduba hoje, com toda a esperança do mundo. Evoé!



Alguns textos contidos no vídeo:

nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

Paulo Leminski


Tenho dito tenho dito tenho dito
E foi para isso
Que aprendeste de cor e salteado, que decoraste
Que gravaste no coração
As baladas de François Villon, o Vagabundo
E pregaste nas paredes as canções de amor de Safo?
Tenho dito
Tenho dito e aqui reedito
Que sou nefelibata nato.
Que antanho me supus uma máscara inscrita
Gigolô de bibelôs”
Que sempre serei surrupiador de souvenirs.
E é assim, Poeta, que te indefines?
Quem és, afinal?
A qual espécie de peixe pertences?
Um mero embaralhador de cartas
Um mero embaralhador das cartas pousadas sobre o veludo da mesa deste profuso cassino.

Wally Salomão



No mar de suplementos literários não lidos
de onde vez por outra emerge longínqua e espaçada
a voz ou o espelho da voz do imenso poeta
sobrenada o gesto prosaico do personagem de Arezzo.

Chico Alvim

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça
pelo telefone: tai,
eu fiz tudo prá você gostar,
fui mulher vulgar,
meia bruxa, meia fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra,vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras

(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

Ana Cristina César
certo dia quampa perguntou à cabra de nome capricho: “– mi ensina a voar.” capricho disse
simplesmente: “– não faça como eu”. e quampérius voou. às vezes ele ficava horas sem teto
para aterrissar. nisso ele se parece comigo, só que eu não sei voar.

Chacal


**Quem animar de ganhar seu tempo vendo essa pepita, clicaqui.

Um comentário:

  1. hahahahah, a do chacal é muito boa, e gostosíssima, eu acho que esse que é o dom do chacal, falar palavra como a palavra goiaba que é uma palavra gostosa!!!

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