domingo, 30 de agosto de 2020

Solidão-liberdade

 

A solidão me assola

Não me demoras, faço dela um prazer na minha solitude que esboça

Teu gosto é de pedra doce e saudade

Bebo vinho dez pras dez da noite

E toco piano por pura vaidade

Conto os dias, conto as horas, nessa solidão cheia de liberdade

Os ponteiros do relógio mentem às quintas

Meus livros estão cheios de tinta

Coisa velha faz borrão na parede

A lua invade a casa solitária e caminha entre as emoções cheia de sede

Bebe de mim o sonho de ontem

A solidão é libertária, nela me desprendo, sanidade, vôo com par de asas em total solitude, cheio de saudade

Agora sou mariposa, Maria que pousa corujeando o azul

Na melancolia, que é menina bonita

Aflita, chora e chove entre as couves do jardim

Seja solidão, seja liberdade, seja par de asas, que nessa alma exala

Seja o relógio, a tinta, a parede, a mariposa, a sede, tudo sou eu, gritando para outros eus.


Poema de Brunno Vianna e Débora Zambi





Débora, que é integrante da Academia de Letras e Arte de São João de Meriti, lançou em 2019 o livro Metamorfose Poética, que pode ser encontrado no site da Editora Metanoia: https://loja.metanoiaeditora.com/deborazambi. Enquanto Brunno Vianna lançou em 2020 Cartas Para a Cidade, livro de contos e crônicas disponível no site do Clube de Autores: https://clubedeautores.com.br/books/search?where=books&what=Cartas+para=a=cidade. O autor também disponibiliza o e-book do livro a todos que entram em contato pelo Instagram @brunnoviannarj. Além de fazer lives sobre Literatura ele mantém o Instagram @espelhodeleituras à disposição de todos os autores que quiserem divulgar seus livros e textos.

Esse poema foi criado em uma delas.



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Dois poemas de Tassio Ribeiro

 


Raro, seu olhar castanho escuro

Sobre o muro que corta a cidade.

Cinza, cor do tempo, neste lugar

vazio de poesia, flores, árvores.

Tudo mudo, e você aqui observando

O silêncio contínuo

Que insiste em mostrar 

Nada além do tempo

Que passa sem nada

No seu devido lugar


* * * 


Meu pai engraxou os sapatos.

Um hábito antigo que aprendeu

No passado. Pegou seu casaco

E foi para o trabalho, onde era

Um operário. Trabalhava

O dia todo; levava a marmita,

E o café. Minha mãe cuidava

Da casa, e dos meus irmãos.

O seu salário quase não supria

As necessidades da casa.

Mas fazia o que podia, para

Garantir o sustento. E a sua maior

Virtude era a poesia, que fazia

Nas raras horas vagas. Dizia que

Tudo é uma questão de tempo e 

Paciência. E o sorriso já amarelo,

Acalentava a todos, que via sua

Fibra, no corpo franzino, boca de menino, e a coragem de um leão.




Tassio Ribeiro





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...