La poesía la llevo dentro/ alguien / - con su palito erecto - / me la metió: Regina José Galindo



**Foto sacada por la amiga Zaira, en la exposición "Piel de gallina", de la artista guatemalteca Regina José Galindo.




Vídeo sobre su obra en el museo Artium: la violencia con las mujeres y otras cosas más (y malas)

Há metafísica bastante em não pensar em nada? - Alberto Caeiro



Há metafísica bastante em não pensar em nada. 

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Que ideia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? 
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo? 
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber que o não sabem? 

«Constituição íntima das cousas»... 
«Sentido íntimo do Universo»... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas. 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores 
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. 

Pensar no sentido íntimo das cousas 
É acrescentado, como pensar na saúde 
Ou levar um copo à água das fontes. 
O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum. 

Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, 
Sem dúvida que viria falar comigo 
E entraria pela minha porta dentro 
Dizendo-me, Aqui estou! 

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos 
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas 
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) 

Mas se Deus é as flores e as árvores 
E os montes e sol e o luar, 
Então acredito nele, 
Então acredito nele a toda a hora, 
E a minha vida é toda uma oração e uma missa, 
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. 

Mas se Deus é as árvores e as flores 
E os montes e o luar e o sol, 
Para que lhe chamo eu Deus? 
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
Porque, se ele se fez, para eu o ver, 
Sol e luar e flores e árvores e montes, 
Se ele me aparece como sendo árvores e montes 
E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol. 

E por isso eu obedeço-lhe, 
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), 
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, 
Como quem abre os olhos e vê, 
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, 
E amo-o sem pensar nele, 
E penso-o vendo e ouvindo, 
E ando com ele a toda a hora.



Alberto Caeiro




**imagens: Magritte e Dali

Editorial: sobre o controle da informação na questão dos transportes

No jardim da política de bates e rebates ficam sempre questões como:
- até que ponto o que é falado é apurado?
- até que ponto fala-se o que é agradável à posição do autor?


Claro, não existe imparcialidade.
Mas onde está o véu que separa opinião e crítica de manipulação e má vontade?

O gestor do blog O observatório insiste em falar que as discussões e manifestações de um grupo de jovens que se articula principalmente pela internet (em convergência do que tem acontecido no mundo todo nos mais diversos contextos) sobre o aumento da tarifa de ônibus em Lavras, são ligadas à grupos políticos de "oposição" e que tem como finalidade denegrir um político e valorizar outro.
.
Esse tipo de acusação é compreensível quando, possivelmente, se vive uma vida fazendo política em cidades como Lavras, que é uma aldeia que representa bem o mundo chamado Brasil. Não existe, nessa ótica, fazer política no sentido de construir, democraticamente, uma sociedade melhor. Se faz a política de partidos, onde, sob uma máscara de distintas "ideologias", pessoas se organizam para disputar poder. Sim, existem pouquíssimas pessoas que se enveredam por esses caminhos porque tem vocação, porque querem, porque tem paixão, na mesma lógica que o vestibular de medicina tem 100 por vaga e o de música menos de um, às vezes.


As ovelhas, acostumadas que são aos pastores, escolhem o que fizer a melhor propaganda e deixam eles tomarem conta.


Assim, mesmo com o pão e circo de cada dia, alguém pode resolver buscar outros que aspirem coisas semelhantes para conversar e tentar fazer algo.
Nessa lógica é difícil pensar que esse grupo pode não ter um líder, e menos ainda que não esteja sob o comando de algum outro grupo desses que disputam o poder.


No entanto, há pessoas que sabem que a política é algo que se faz no cotidiano, que conseguem respeitar na medida do possível o cassino, não participar dele, e pensar em formar diferentes de jogar.


Voltando ao contexto em questão, ressaltamos que não queremos polemizar isso mais, pois não temos intenção de entrar em um jogo de intrigas, acusações, exaltações e difamações que tanto se vê por aí e dos quais não vamos fazer parte. Inclusive alguns chamam isso de fazer política.


Ressaltamos ainda que tentamos entrar em contato com os principais protagonistas da história, o blogueiro, que ainda não nos respondeu o email, e alguns organizadores do movimento, que disseram que ainda não tem condições de dar nenhuma declaração. Todavia, abrimos o direito de resposta a qualquer um que se sentir afetado.


Segundo nos informaram, haverá uma Assembléia - pública e independente - sobre o transporte público em Lavras dia 24/02, Sexta Feira às 18h na Selt.


Com consideração à todos envolvidos e aos leitores,


Larvas Poesia

O Poeta é a pimenta do planeta: Assaltaram a Gramática

Assaltaram a Gramática
Assassinaram a Lógica
Huuumm!
Botaram Poesia
Na bagunça do dia-a-dia...

Assaltaram a Gramática é o nome de uma música (W Sailormoon e Lulu Santos) e de um curta (Ana Maria Magalhães) de 13 minutinhos, de 1984, cativante e bem humorado, com participação dos poetas Francisco Alvim, Paulo Leminski, Waly Salomão, Chacal , Ana Cristina César e não precisa mais nada pra ser demais.

Ótimos textos, além da emoção de ver toda essa trupe da geração de 70 que inventou e reinventou o solo tupiniquim que a gente pisa e aduba hoje, com toda a esperança do mundo. Evoé!



Alguns textos contidos no vídeo:

nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

Paulo Leminski


Tenho dito tenho dito tenho dito
E foi para isso
Que aprendeste de cor e salteado, que decoraste
Que gravaste no coração
As baladas de François Villon, o Vagabundo
E pregaste nas paredes as canções de amor de Safo?
Tenho dito
Tenho dito e aqui reedito
Que sou nefelibata nato.
Que antanho me supus uma máscara inscrita
Gigolô de bibelôs”
Que sempre serei surrupiador de souvenirs.
E é assim, Poeta, que te indefines?
Quem és, afinal?
A qual espécie de peixe pertences?
Um mero embaralhador de cartas
Um mero embaralhador das cartas pousadas sobre o veludo da mesa deste profuso cassino.

Wally Salomão



No mar de suplementos literários não lidos
de onde vez por outra emerge longínqua e espaçada
a voz ou o espelho da voz do imenso poeta
sobrenada o gesto prosaico do personagem de Arezzo.

Chico Alvim

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça
pelo telefone: tai,
eu fiz tudo prá você gostar,
fui mulher vulgar,
meia bruxa, meia fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra,vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras

(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

Ana Cristina César
certo dia quampa perguntou à cabra de nome capricho: “– mi ensina a voar.” capricho disse
simplesmente: “– não faça como eu”. e quampérius voou. às vezes ele ficava horas sem teto
para aterrissar. nisso ele se parece comigo, só que eu não sei voar.

Chacal


**Quem animar de ganhar seu tempo vendo essa pepita, clicaqui.

Pra desafinar o coro dos contentes - Patricia Fonseca

Refundação


Se escrevo
é pra dar voz a esse grito
reprimido
de quando vejo o olhar sofrido
do povo brasileiro
que rala de janeiro a janeiro
e se sustenta com o parco pão e o farto circo.


E torço e clamo 
pra que chegue logo a Carnavalha
que corte de vez 
o fio invisível do poder 
que nos mantém cativos.






Pra desafinar o coro dos contentes


Que não seja a flor
o que sustenta
o pensamento.
Que seja o espinho
que cause o ferimento
e rasgue todas as ironias e disfarces de tanto
contentamento.



* Patricia Poeta das Pequenas grandes coisas, integrante do grupo LESMA, de Conselheiro Lafayete (para o mundo)

Estudante é acusado de corrupto ao debater política. Questionamos a Raphael Chaves: é memo?

O princípio citado no blog O observatório é muito nobre: "Um excelente modo de fazer o bem é a firme decisão de combater o mal." E é isso que o dono do blog César Mori Júnior faz. Ele têm todos nossos parabéns por identificar o mal e o expor à sociedade lavrense. Afinal, um universitário filhinho de mamãe que nem estuda em lavras só poderia estar culiado com o mal se tentasse, junto com outros coleguinhas, propor a discussão dos direitos dos cidadãos da Terra dos Ipês de não serem explorados por uma empresa que cumpre horrivelmente (segundo alguns) a sua função.


Os puros devem tentar se manter afastados do mal, e conspiradores que se reúnem em plena praça pública (isso não era proibido na ditadura? “Socorro, a censura acabou!”) para discutir política devem ser duramente combatidos. César Mori não entrou em contato com o atacado em questão, e postou diversas percepções distantes e disformes sobre corrupção, favoritismo, politicagem (compreensível pelo que se sabe do modus operandi de todos os lados da política da província em questão). No entanto, acreditamos que o famigerado líder da revolução proletária lavrense merece um estudo um pouco mais detalhado. Segue a entrevista que o grupo Larvas Poesia fez com o semeador da discórdia.


(na ótica do inquisitor):


Comecemos com pedrada! Qual é o grupo de oposição que paga a você para que se indigne? Eles pagam bem ou é só um hambúrguer no mau-mau?
Grupo de oposição?? Existe isso aqui em Lavras?? Até onde eu sei, temos onze vereadores na câmara e apenas um que se coloca como oposição. Bom, temos também um jornal de oposição. Acho que poderão verificar que não recebi nenhuma assinatura gratuita da dita folha ou algo do tipo. (rs)
O blogueiro diz que essa mobilização é uma bandeira política. Até aqui concordamos. Penso que consciência política é um dever do cidadão. Penso que temos dever de contestar e criticar o poder público sempre que achar que devamos e quando nos sentirmos afetados por uma medida, temos a obrigação de nos organizarmos e nos colocarmos diante do mesmo poder público que nos representa (ou deveria) pra exigir nossos direitos. Mesmo que você more em São João del-Rei ou em qualquer outro lugar, isso não desqualifica a sua luta. Pois foi esse um dos argumentos geniais do blogueiro na tentativa de me desqualificar. Disse que eu não moro em Lavras, não freqüento regularmente a cidade e não fui afetado por esse aumento da tarifa. Bom, realmente não moro em Lavras. Desde 2008 moro em São João del Rei, onde acabo de concluir minha graduação em História e onde iniciarei minhas atividades como aluno do mestrado esse ano. Apesar disso, não sei de onde o blogueiro tirou essas informações. Dizer que não frequento a cidade com regularidade? Estou em Lavras TODOS os fins de semana... e são muitas as testemunhas que podem atestar isso. Não fui afetado por esse aumento? Mas eu sou usuário do serviço. Colocadas essas calúnias de lado, o argumento do blogueiro é tão ridículo quanto dizer "Não nos importamos com as vítimas do terremoto no Haiti. Somos brasileiros, afinal de contas." Essa visão provincialista é típica das mentalidades autoritárias que, confortavelmente atreladas às oligarquias, sempre que se levantam vozes em protesto, sentem-se ameaçadas e tomam as bandeiras políticas como heresia. Entretanto, o blogueiro disse que essa mobilização está sendo patrocinada pela oposição. Eu não tenho conhecimento disso. Mas imagino que cada pessoa que postou uma mensagem ou uma tirinha demonstrando sua indignação com o aumento da tarifa (e foram muitas pessoas), deva estar sendo manipulada por alguma força invisível então.
Penso que engajamento político e social transcendem o interesse particular. Não falo dos crápulas que se ligam ao poder pra conseguir arranjos interessantes aos seus negócios. Estou falando em verdadeira preocupação com os problemas sociais. Mesmo que eu não utilizasse o serviço da Turilessa/Autotrans, ainda assim levaria minha indignação à frente, ao ver o povo sendo lesado por uma empresa que apresenta um serviço ruim em vários sentidos e que, atrelada ao poder público, conseguiu garantir o seu monopólio até 2017, contrato esse que vem da gestão anterior, mas que foi renovado sob mandato da atual prefeita em março de 2007. E não preciso receber hambúrgueres ou qualquer coisa pra defender o que acho certo.

Qual é a sua opinião sobre a oposição Lavrense?

Bom, como disse, a câmara dos vereadores em Lavras tem apenas um vereador que se apresenta como oposição. Seria ele o mecenas que o blogueiro aponta como patrocinador da indignação contra o aumento da tarifa de ônibus? Seria ele a mente que nos manipula das sombras para que não queiramos pagar preço abusivo por um serviço ruim? Não conheço o vereador, nunca conversei com ele e também nunca votei nele. Sei que ele questionou o aumento da tarifa por ter lido na Tribuna de Lavras, o jornal de oposição ao qual me reportei (será que com isso eu derrubo a acusação do blogueiro, que afirma que não lemos os jornais da cidade), em reportagem publicada no dia 28 de janeiro. Mas não sei se ele está tomando outras medidas a respeito. 
Você é misericordioso com o seu rebanho?

Isso é outra coisa risível no texto do blogueiro. O tom que ele dá ao texto faz parecer que somos uma quadrilha, ao utilizar os termos "líder" e "cúmplice" associados. É mais um indício de como as oligarquias lavrenses e seus lacaios estão desacostumados à contestação. Ele me coloca como líder dessa mobilização. Não me reconheço como líder. Simplesmente levantei a questão do aumento da tarifa numa comunidade da UFLA, expondo minha indignação, e disposto a fazer algo a respeito. A partir disso, pude travar contato com outros conterrâneos indignados, sendo que estamos conjuntamente buscando mobilizar os lavrenses contra a exploração.
Um outro ponto que gostaria de comentar é que o blogueiro afirma que realizaríamos um protesto na última sexta-feira, dia 03 de fevereiro. Isso não aconteceu (ainda). Simplesmente nos reunimos e debatemos questões referentes ao transporte público e começamos a nos organizar pra dar uma resposta, pra demonstrar o descontentamento da população lavrense. Eu me pergunto quem afinal de contas está promovendo a desinformação.
O que me incomodou sobremaneira foi o abuso do blogueiro, que postou informações minhas e de outra estudante em sua página sem autorização, sendo que na imagem do meu perfil outros amigos acabaram sendo também expostos. Quem lhe deu o direito de expor minhas informações na sua página? Eu enviei dois e-mails ao blogueiro solicitando a retirada dessas imagens e não obtive respostas. Recebi dezenas de mensagens - muitas de pessoas que ainda não conheço - indignadas com a atitude do blogueiro, garantindo seu apoio e sugerindo que eu o processasse. Estou avaliando que medidas tomar.
Você é ligado à algum grupo politico? Qual? Ele pega em armas?
Não sou ligado a nenhum grupo ou partido político. Minha atuação junto ao movimento estudantil em São João del-Rei foi tímida ao longo de toda a graduação, tendo participado diretamente apenas em alguns poucos processos. Nos últimos semestres da graduação tive uma relação um pouco mais próxima com o Centro Acadêmico de História. Pra quem não sabe, o DCE-UFSJ é uma organização suprapartidária, composta pelos centros acadêmicos organicamente articulados, que elegem seus delegados para o Conselho de Entidades de Base, onde se delibera a respeito das pautas estudantis. Respeito muito o DCE-UFSJ, que me fez ver a força que o movimento estudantil pode ter, conseguindo importantes vitórias para a comunidade estudantil. Ah... e sem pegar em armas. (rs)
Qual foi a sua dificuldade em entender a matéria do Jornal de Lavras que dizia que 2,60 é abusivo e 2,35 é caridade? Tinha erro de português ou você saltou alguma vírgula?
Tendo a desconfiar de discursos oficiais. O Jornal de Lavras é afinado demais à atual gestão para meu gosto. Como exemplo, temos o caso da denúncia do Ministério Público quanto ao mau uso de dinheiro público, em que foram acusados a prefeita, o vice e todos os vereadores da cidade, que teriam gasto em torno de 500 mil reais irregularmente em despesas pessoais. O caso repercutiu na grade imprensa, tendo sido reportagem no G1 e no Estadão. Na denúncia em questão, os senhores vereadores teriam gasto 20.000 reais com combustível, sendo que muitos moram nas proximidades da câmara e na prefeitura, teríamos 28 mil reais gastos com viagens, estadia e até mesmo bebidas alcoólicas. Mas o Jornal de Lavras não publicou. Publicou apenas uma nota de esclarecimento da prefeita, que trazia um texto cifrado, inacessível à maior parte da população - parcela na qual me incluo - escondendo-se atrás de linguagem jurídica.
É dito na reportagem do Jornal de Lavras que a Autotrans teria enviado nova planilha de custos à prefeita, solicitando o aumento da tarifa, levando em conta "
o custo de insumos como combustível e pneus e outros itens constante em planilha de custo" (trecho retirado da reportagem do Jornal de Lavras, de 24 de janeiro). O jornal diz ainda que receberam outra informação, embora NÃO conste na planilha, que colocaria uma suposta diminuição do número de usuários, medida pelo IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro). Onde estão esses números? Por que a prefeitura não divulgou a planilha de custos da Autotrans? Por que não divulgaram a forma como foi feita o cálculo. O blogueiro me acusa de desinformação. Mas acho que esse é um problema geral da população lavrense diante da ausência de transparência da atual gestão.

Você lê os jornais lavrenses? Qual deles tem as figuras mais bonitas?

Leio com freqüência pelo menos a Tribuna de Lavras e o Jornal de Lavras, que poderíamos classificar respectivamente como oposição e situação. Não há isenção política nesses jornais e nem cobro isso. Acho que o discurso da "imparcialidade" da imprensa é uma grande hipocrisia, embora nos casos em questão essa vinculação política seja bastante escancarada. Penso que isso é visível pra toda a população. Mas acredito em honestidade intelectual, apesar das vinculações políticas. O papel da imprensa é informar e não justificar fulano ou siclano que fazem parte de uma ou outra facção. Em todo o caso, leio ambas as folhas e construo dialeticamente meu próprio juízo a respeito das questões colocadas por uma e outra.
Por que você não se informou antes de incitar uma população inteira, menino?

O blogueiro diz que não nos informamos. Ele não deve saber disso (ou talvez saiba, já que ele demonstrou saber tanto a meu respeito), mas procuramos informações até junto ao Ministério Público. Com os dados que tínhamos, discutimos o problema na praça dr. Augusto Silva no último dia 3. E como disse e volto a afirmar: o problema de desinformação é geral, diante da ausência de transparência da atual gestão. A população foi incitada não por mim, mas pelas condições do transporte público em Lavras hoje, ante esse monopólio que, com a anuência da prefeita, aumenta a tarifa sempre que lhe apraz. A população não pode ser refém desse conluio.
Queria dizer ainda aos funcionários da Autotrans que a nossa luta também é por vocês, por melhores condições de trabalho. Porque pelo que me parece, a empresa reduziu os seus quadros. Vejo muitos (muitos mesmo) ônibus em que o motorista é constrangido a fazer também o papel de trocador. Como se lhes exige cumprimento de horário, freqüentemente os vemos dando troco com o veículo em movimento, o que coloca em risco passageiros, pedestres, demais condutores e eles próprios.

Você visava se destacar com as gatinhas com a proposta de discutir o tema ou isso foi só uma dádiva do César Mori?

O blogueiro tem muita imaginação mesmo. (rs) Acho que há maneiras mais viáveis de "se destacar com as gatinhas" do que buscar uma mobilização por uma causa justa. Tem gente que prefere investir no futebol ou no violão. Como eu digo, quando faltam os argumentos, frequentemente a calúnia e a desonestidade intelectual são os caminhos tomados, como pudemos ver no blog em questão: o Observador. Talvez caiba uma sugestão para o referido blogueiro. Que tal "o Observador Míope"? Ah... acho melhor não. Miopia é uma limitação física e não uma deficiência de caráter.
 
O que foi aquela palhaçada na praça? Você e seus capangas planejam continuar com isso? Tem planos futuros?
Tivemos uma primeira reunião pra discutir pautas. Compareceram 16 pessoas. Chegamos à conclusão que precisamos de maiores informações e de buscar articulação com alguns grupos já consolidados dentro do movimento estudantil, sindicatos, associações de bairros etc. Já nos organizamos pra contatar esses grupos. Podem ter certeza que não vamos parar por aqui, enquanto não capitalizarmos todo o descontentamento da sociedade lavrense contra os desmandos desse conluio Autotrans (Turilessa) / Prefeitura. Estamos buscando articulação com esses grupos e com a comunidade descontente como um todo. Teremos nova reunião após o Carnaval em que, se tudo correr bem, conseguiremos constituir verdadeira assembléia popular, onde discutiremos que medidas tomar. Devemos divulgar data, horário e local o mais breve possível.
Por que você acha que qualquer tentativa de se tentar discutir política em Lavras é completamente rechaçada? Bons governantes não conversariam com o povo ao invés de ficarem expondo seus profiles como se fossem bandidos?

Com toda a certeza. E o problema é essa mentalidade provincialista autoritária, desacostumada à 
contestação. As oligarquias lavrenses estão acostumadas a esse status quo. E quando uma voz se ergue para criticar e contestar as medidas que toma, é logo vista como herética e submetida a retaliações e coações as mais diversas. Não é crime contestar as ações das pessoas que nós elegemos. Não é crime levantar demandas sociais. É exercício de cidadania.
Não somos uma quadrilha baseada em "líderes" e "cúmplices", como quer o blogueiro. Quadrilha poderemos chamar nossos representantes, caso seja provado que gastaram ilegalmente 500 mil reais do nosso dinheiro em despesas pessoais, conforme acusação do ministério público. Somos lavrenses! Somos universitários, secundaristas, trabalhadores, eleitores, cidadãos, movidos por um interesse comum: transporte público de qualidade com preço justo!  

A là Skylab: Qual foi o lucro obtido?


Até agora, de sopetão, eu diria um texto de um blogueiro, em que me calunia e me difama, além de 
expor sem autorização informações de meu perfil em uma rede social. (rs)
Falando sério... o lucro foi conhecer pessoas realmente interessadas no bem comum, dispostas a criticar, questionar e lutar por seus direitos. Pessoas, que em sua honestidade, julgam abusivo o aumento da passagem e ruim o serviço que recebem. Nosso objetivo é envolver mais e mais pessoas nessa causa. Não podemos sempre esperar dos outros. Quando afrontados por injustiças, não podemos nos limitar a resmungos. Vamos à luta!







*pic: Raphael Chaves, cidadão de Lavras, mestrando do curso de História da Universidade Federal de São João del-Rei, teve a sua imagem exposta por tentar discutir problemas do transporte lavrense, numa clara tentativa de transformar o direito de contestação das pessoas em crime.



*Vinicius Tobias

Juventude de Asas Cortadas - Henfil


*A falta de asas pode ser um impulso para voar!

Poucas coisas são piores que tarde demais - Bukowski -

Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos...

Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.



Oh Yes


there are worse things than

being alone

but it often takes decades

and most often 
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than 
too late


*O documentário "Born Into This" é dos melhores já feitos sobre um escritor. Vale a pena passar esse tempo com o velho Buk.

"Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade."

to realize this

O muro, por toda a parte - Ignácio de Loyola Brandão

Um dia, depois de muito pensar numa frase de hans Christoph Buch, me bateu forte certeza de que o muro não existe apenas em Berlim. Há um muro dentro das pessoas, com as dificuldades cada vez maiores de relacionamento. Muro entre o homem moderno, ilhado em seus preconceitos e sua abalada "autoridade" e domínio, e a mulher cuja a cabeça se abre e avança. Muro entre as gerações. Entre raças. Entre desenvolvidos e sub-desenvolvidos. entre socialismo e comunismo, militares e civis. Há um muro entre o nordeste brasileiro e o sul. Um espesso e intrasponível muro entre Brasília e o resto do país. Muro entre o sistema que nos governa e o povo. Muro entre favelas cariocas e os habitantes de prédios e casas. Muro em São Paulo, a cercar pessoas fichadas em seus apartamentos, protegidas por grades, circuitos internos de tevê, alarmes, guaritas, cães. Muro, por toda parte.


*Trecho do relato de viajem "O verde violentou o muro" de Ignácio de Loyola Brandão que relata o ano que passou em Berlim na época em que ainda havia o muro. Integrantes do Grupo Larvas poesia encontraram e conversaram com o escritor quando o mesmo veio à Lavras, cercado por puxa-sacos, pela imprensa e por "intelectuais", ficou com uma pulga atrás da orelha quando ficamos do início até o final da coletiva de imprensa sem fazer perguntas (quase fomos embora umas três vezes pelo nível que tava as perguntas dos presentes, mas por ele, ficamos), ele tem uma certa queda por jovens com roupas diferentes e postura questionadora. Conversamos muito e foi muito produtivo; é incrível como alguém que chega a ser considerado um dos maiores romancistas vivos da literatura brasileira mantem tão alto grau de paciência e despretenção. Perguntamos se ele não acha chato dar essas imensas entrevistas a puxadores de sacos e aguentar intelectuais e jornalistas estúpidos, e ele disse que era chato, mas depois de ter escrito obras magníficas agora tinha o poder de fazer o mais necessário, viajar palestrando e entrando em contato com a população ajudando humildemente a diminuir o enorme muro entre a população brasileira e a cultura. Fiquem com outro trecho.

Claro, tem manual

Pensam que não? pois erraram. O movimento pacifista tambem tem seu guia. Volume de 124 páginas, editado pela Rowohlt, em 1983, fornece idéias gerais a respeito do assunto, informações sobre os vários grupos, endereços, programações. Chama-se  Livro de Ação para pacifistas  e não deixa ninguem na mão.

Pinheirinhos: Nosso Tempo

Já se tem falado por aqui sobre a Democracia Relativa que vivemos, onde a força militar travestida de agente de segurança se torna o braço do estado que esmaga de forma irrestrita, irrefletida e ignorante problemas que o governo - de partidos partidos, de corruptos vendidos, de marketing barato, de jogo de interesses - não quer resolver, mas apenas apagar, não importa quanto sangue escorra de seus atos. O brasileiro de hoje continua de cócoras, passivo perante a barbárie, vez ou outra expressando seu descontentamento num comentário em frente à televisão dos títeres ou no facebook, que tanto serve pra deixar consciências tranquilas.

A caça aos pobres continua e a Copa do mundo tá chegando

Quase dez mil pessoas desabrigadas, sete mortos, dezenas de feridos, e a industria imobiliária ganha mais uma vez com a ajuda do braço armado do estado. Pra onde vão essas pessoas?

Alguém se importa?

A lei, ora, a lei.




Nosso Tempo (trechos)

Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

...



É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.

No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.

...

Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.

...

Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há. mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.

E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.


...

O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos  e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.

Carlos Drummond de Andrade, que ainda habita o nosso tempo.


Uma fala interessante sobre o assunto:



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...