Editorial: sobre o controle da informação na questão dos transportes

No jardim da política de bates e rebates ficam sempre questões como:
- até que ponto o que é falado é apurado?
- até que ponto fala-se o que é agradável à posição do autor?


Claro, não existe imparcialidade.
Mas onde está o véu que separa opinião e crítica de manipulação e má vontade?

O gestor do blog O observatório insiste em falar que as discussões e manifestações de um grupo de jovens que se articula principalmente pela internet (em convergência do que tem acontecido no mundo todo nos mais diversos contextos) sobre o aumento da tarifa de ônibus em Lavras, são ligadas à grupos políticos de "oposição" e que tem como finalidade denegrir um político e valorizar outro.
.
Esse tipo de acusação é compreensível quando, possivelmente, se vive uma vida fazendo política em cidades como Lavras, que é uma aldeia que representa bem o mundo chamado Brasil. Não existe, nessa ótica, fazer política no sentido de construir, democraticamente, uma sociedade melhor. Se faz a política de partidos, onde, sob uma máscara de distintas "ideologias", pessoas se organizam para disputar poder. Sim, existem pouquíssimas pessoas que se enveredam por esses caminhos porque tem vocação, porque querem, porque tem paixão, na mesma lógica que o vestibular de medicina tem 100 por vaga e o de música menos de um, às vezes.


As ovelhas, acostumadas que são aos pastores, escolhem o que fizer a melhor propaganda e deixam eles tomarem conta.


Assim, mesmo com o pão e circo de cada dia, alguém pode resolver buscar outros que aspirem coisas semelhantes para conversar e tentar fazer algo.
Nessa lógica é difícil pensar que esse grupo pode não ter um líder, e menos ainda que não esteja sob o comando de algum outro grupo desses que disputam o poder.


No entanto, há pessoas que sabem que a política é algo que se faz no cotidiano, que conseguem respeitar na medida do possível o cassino, não participar dele, e pensar em formar diferentes de jogar.


Voltando ao contexto em questão, ressaltamos que não queremos polemizar isso mais, pois não temos intenção de entrar em um jogo de intrigas, acusações, exaltações e difamações que tanto se vê por aí e dos quais não vamos fazer parte. Inclusive alguns chamam isso de fazer política.


Ressaltamos ainda que tentamos entrar em contato com os principais protagonistas da história, o blogueiro, que ainda não nos respondeu o email, e alguns organizadores do movimento, que disseram que ainda não tem condições de dar nenhuma declaração. Todavia, abrimos o direito de resposta a qualquer um que se sentir afetado.


Segundo nos informaram, haverá uma Assembléia - pública e independente - sobre o transporte público em Lavras dia 24/02, Sexta Feira às 18h na Selt.


Com consideração à todos envolvidos e aos leitores,


Larvas Poesia

3 comentários:

  1. "Se faz a política de partidos, onde, sob uma máscara de distintas "ideologias", pessoas se organizam para disputar poder". Concordo com a ideia central do texto. Oe meios de comunicação reproduzem esse jogo de forças que se tornou a política, esquecendo-se das ações políticas do dia-a-dia que constroem e representam o desejo de uma sociedade melhor. Em cidades interioranas, o aparelhamento de tradicionais órgãos de mídia por políticos de carreira é quase que crônico, representando, portanto, o que há de mais atrasado e anti-democrático em nossa sociedade. Ações como o do coletivo Larvas corroboram a importância que a arena virtual vem ganhando frente às discussões políticas e a circulação de múltiplos pontos de vista.

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  2. Texto muito bom. Parabéns ao Larvas.
    Acho que essa Assembléia vai ser muito importante pra tentar mudar esse status quo. Quem sabe um primeiro passo pra criar uma cultura política de consciência e, sempre que necessário, de contestação.
    Grande abraço!

    Raphael

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  3. Isso me fez refletir uma coisa... Fazendo uma comparação... Imagine uma loja que te vende um produto e ao chegar em casa você constata que ele está com defeito. Você volta para a loja e reclama e pede que o produto seja trocado, certo? Se a loja não aceitar, você pode até entrar com uma ação no Procon que a situação poderá ser resolvida. Com o transporte público, é a mesma coisa. O usuário é o cliente e ele tem direitos. Se o serviço é mal prestado, ele tem que reclamar sim. Se o preço é abusivo, ele tem que reclamar sim. O movimento é para isso! O debate existe para isso! O foco do movimento é o abuso que uma empresa está fazendo com seus usuários! E isto é justo e legítimo!!! #prontofalei

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