Mirada do alto da Serrinha ou felicitações pelos 180 anos de Lavras

Mirada do alto da Serrinha

Eu vejo Lavras bailar suas baladas de máscaras
negras alternativas de chapéu camisa social
coturnos camisetas de micaretas ou metal
em cima de seus truques suas tribos e refúgios.
A Cofap explodindo em fumaça e suor
Do noiteanoite de suas máquinas
Mas domingo tem missa na matriz
tem palestra no augusto silva
tem culto na presbiteriana
Tem circuitogoninhodarcebares
Tem a praça com entrada de graça
E tantos outros espaços para praticar
E esquecer os nossos pecados cotidianos
Enquanto a juventude universitária bebe
O investimento que seus pais fizeram
No gammon no cnec nos cursinhos
No futuro do sangue do seu sangue
O investimento dos barões do café
Do latifúndio das estatais da soja
E esse lucro ainda há de acabar
com a fome do mundo
Ainda há de alimentar todos
Os carros de forma sustentável
Entupir as veias da cidade
De vaidades motorizadas
Bem motivadas pelo progresso
Comercial dessa cidade modelo
Modelo
Alta, magérrima, triste atrás
De suas multicolores maquiagens
De sua praça cheia de luzes
E bancos e bancos e estacionamentos
Enquanto chora uma idosa a demora
De um vereador que esqueceu
Sua caixa d’água
Mas suas netas não esqueceram
(talvez o nome, não a sede)
Ao contrário de seus primos
No são Vicente no barro preto
Na COHAB no Pitangui e tantos outros
Que já se esqueceram e inventaram
Seus meios mais ou menos
Legais,
legais pra quem carapálida?
E tudo se esconde sob a poeira
que se levanta sob os pés
no campinho de terra
enquanto no alto da madrugada
uma menina é assaltada por uma pedra
de crack bem intencionada
que não quer machucá-la
só redistribuir a renda e sustentar
uma, só uma, baforada.
Tátudobem a brisa a revolução
Estendida no sofá no brejão
Correndo na perimetral de manhã
Tem de tudo, menos calçada
um cachorro morto, um homem talvez,
Tem esperança até, mesmo que as vezes
Caia no buraco, ou morra no morro
Por não saber controlar
A embreagem. A embriaguez.
E como é difícil
Esse controle.
Talvez não pra jornais que
Imprimem tudo no plano
Tudo em linha reta. Confabulando
Posições e oposições. Como o sol
Que já se deita atrás de minhas costas
E acende as luzes da cidade sob
O afogamento da ponte do funil.
A noite começa e o baile não pode esperar.
Resta outra espera. Desesperada.
Talvez algo que assome
De alguma distante, neblinosa

 alvorada.

Igor Alves

Serrinha - Lavras/MG -

2 comentários:

  1. Gostei demais Irgo! Larvas tá quase em forma adulta, em todos os aspectos... de larvinha à besourão... massa massa...

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  2. Gostei mto filho, lindo como tudo q escreve.....bjs

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