2. Muita coisa se poderia fazer em favor da poesia: (Manuel de Barros)

a - Esfregar pedras na paisagem.

b- Perder a inteligência das coisas para vê-las.
     (Colhida em Rimbaud)

c- Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se


d- Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em Carlitos.

e- Perguntar distraído: - O que há de você na água?

f- Não usar colarinho duro. A fala de furnas brenhentas de

Mário-pega-sapo era nua. Por isso as crianças e as putas
do jardim o entendiam.

g- Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos, terens
de rua e de música, cisco de olho, moscas de pensão...

h- Aprender a capinar com enxada cega.

i- Nos dias de lazer, compor um muro podre para os caramujos

j- Deixar os substantivos passarem anos no esterco, deitados
de barriga, até que eles possam carrear para o poema um gosto
de chão - como cabelos desfeitos no chão -  ou como um bule
de Braque - áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro - um
amarelo grosso de ouro da terra, carvão de folhas.

l- Jogar pedrinhas nim moscas....

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