terça-feira, 15 de setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

A Bem Soar




o haikai convida por si:


comparações como pastos
convido esses versos
a se ruminarem calados 

Mugido 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

ATenda - Clélio Souza


"Rumino fino. Lã de gravidez das aves. Corpo maciço das metáforas. Linha na
 Retina do Poema de Segunda. Prosa dos Monstros Alados com Sísifo.
Mediações de Vinícius: entre Tombos e Tobias. Na carcaça Teodoro: o comício* 
de outro tudo e por fim, Ir go."

(A primeira impressão é a que finca.)

Maços de poesia por todos os lados,
quem foi que tirou a vergonha sintática
desses bichos palavreais alados?

Bambus estendidos ao tronco da noite apanham pessoas,
são palavras que alcançam o buraco do raso.
Um modo de brincar no fundo do poço.

O preço é de pirata que afunda o mar dentro de um barco.
por 3 você leva, por 2 você trás. 10 ou 5 tô tais.
____________________________ Há zines pra todos os Pratos.



(I Virada Cultural de Lavras)
Dias 27 e 28 de Junho de 2015.
Mais Informações:
https://www.facebook.com/viradaculturallavras?ref=ts&fref=ts

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Cris Penoni - Monstros Alados

Inquisição
Velheira literária
Alfarrábios
Um ordálio
.
Confesso ter o gosto esnobe
Dos estudantes de literatura
É uma das minhas falhas de caráter
----------------------------------------------------
Pirataria
Faço poesia pirata
Aproprio-me de poemas alheios
Procuro um porto recluso
E ali enterro
Versos, estrofes, rimas, aliterações
.
Pirateio minhas ideias
Ponho-las sob pedra
Misturo com os tesouros saqueados
E proponho inúmeras transformações
A poesia que brota da poesia
Tal é meu lucro bucaneiro
.
Um porém:
Poesia corsária, jamais
Salvador Dalí



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

diOli



minha boca tesa tua pela nua
falo seu voz minha perna sua
língua minha anca sua coito nosso

eu te esfrego e você se entrega
derreto, viro ar e você me ofega



*

    *
  
         *


se você chega de mansinho
e me pede um carinho
- com o cio não negocio -
de pronta entrega me aquiesço

é foda, o que você merece
meu bem
é foda, o que eu mereço






*retirados do livro "Poesia com P__ de Puta" de David diOli

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Agente tamo junto: Como era bom escrever errado.





    Uma coisa há muito me incomoda, mas só recentemente é que me tirou noites e noites de sono: a gente estar errada ao escrever agente.

    Nunca fui bom em escrever certo, minha tendência à poesia vem mais pela transgressão e imaginação do que pelo "amor às letras". As quais, aliás, nunca tive um relacionamento lá muito afeito, nem cultivo por elas muito respeito. Escrevia errado que só. Inclusive agente. Mas comecei a reparar que as pessoas quando percebiam que algo estava errado não conseguiam tirar proveito de nada que havia ali, sentiam alguma coisa no estômago que eu num sei bem como descrever, e faziam uma careta feia de nojo como se a gente tivesse levado um pedaço de carne podre às suas narinas.

     A poesia, no entanto, parece libertina. Quase achei que poderia ali fugir ao imperativo certo/errado. Ledo engano. É lá que as coisas realmente se parecem com o que são: leis arbitrárias e sem sentido e zumbis (até porque a linguagem é isso, né?). Ora, um poema hoje em dia aceita tudo: dialeto virtual, regionalismos, onomatopeias. Mas insira um "agente" sem trocadilho intencional nem qualquer contextualização... A sarjeta e o desprezo o aguardarão. Lulu Santos pagou os capangas poetas marginais apenas para assassinarem a métrica que já estava agonizante, a gramática eles apenas assaltaram.

     Esses dias mesmo fui confrontado a isso: no meio de uma conversa falávamos da beleza das interações linguísticas e um bom estudante das humanas declarou que atualmente estava com muita preguiça de errada escrita. Disse a ele "mas é belo & belo" e perguntei "coisas como o que?". "A gente junto não dá pra aturar" - respondeu o estudante.

       Sim o a gente. Essa expressão (é isso mesmo, uma expressão?), penso, é onde se encontra o ponto de tensão mais exacerbado entre a galera do fundão e a professora de óculos e saia azul opaco abaixo dos joelhos. É aí que a academia segura as rédeas, mas não me posicionarei (contra o pensamento endêmico acadêmico), tenho sofrido muito por tomar tantos posicionamentos. Todos eles de um extremo radicalismo lunático. Depois de ser tantas vezes reprovado na academia estou começando a aprender a manter um distanciamento crítico, a me manter separado. Embora lá no fundo minha filosofia de vida que clama por amor e paz e acredita que somos mutantes uma pessoa só ache que a gente tem mais é que ficar tudo junto.

      No mais o agente torna todo mundo senhor de si quando tamo junto (e não todo o mundo). Agente de seu próprio destino, o que seria inevitável, se não viesse sempre uma carranca dizer-nos que temos sempre que separar tudo a fins de catalogação. Até porque quando escrevo que a gente foi à padaria sempre fico os vendo descer a rua por entre as grades da janela.

 
                     "Até porque quando escrevo que a gente
                foi à padaria sempre fico os vendo descer
                 a rua por entre as grades da janela." 
  

     Não vos parece que são eles sem mim: a gente? A gente desceu do ônibus é uma frase vista de cima, por um narrador onipresente ou de uma sacada de apartamento no centro. É diferente do a gente que agente diz e por isso justifica escrever de outro jeito, mesmo que não saibamos justificar. Agente desceu do ônibus, eu, o Beto e o Gilmar e fomos orçar a camisa da formatura - né não, terceirão! Estamos nós juntos, misturados e agindo coordenadamente sem a necessidade de um líder proclamado, portanto, imbuídos de poder.

      Acredito mesmo nisso. As línguas refletem nossa ideologia: movimento oposto à esse que tenta separar a gente seria o movimento rastafarI que inseria a palavra "eu" em quase todas as palavras.

       Mas não levem isso muito a sério, são só divagações de alguém que escreve muito e que demorou pacas para aprender os adornos mínimos exigidos para veicular impulsos em letras. Lembro de um poema em que escrevi "atoras francesas antigas" e me doeu muito arrumar. Mesmo sabendo o certo e sendo o certo mais bonitas e curvilíneas e meigas: as atrizes são muito mimadas! Queria me referir - mas que coisa impossível! - às atoras mesmo.

      Quanto às vírgulas, tenho me acostumado, a elas, quando não sei bem, quando colocar, saio virgulando tudo, de modo, que parece que a gente tá, viajando, naquele ponto da rodovia, onde ela atravessa cidade, e tem quebra-molas, pra porra!
   
        Antes preocupava apenas com o espírito do escrito e que ele (como eu) estivesse usando uma roupa velha rasgada e que lhe assentasse bem. Devo admitir que sou mais versado em dar nó em gravata de texto do que em amarrar meus tênis (embora saiba bem pouco sobre as gravatas dos textos). Aos textos são exigidos, além de se passar e engomar, que a meia combine com o detalhe do colarinho. Deve ser por isso que os capitalistas e operários acham escrita coisa de moçoila. 



Vinicius Tobias
      

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

domingo, 30 de novembro de 2014

Igor Alves

VOSSAMERCÊ
VOCEMECÊ
VOSMECÊ
VOMECÊ
VOCÊ
OCÊ
Cê
C
caro
GRAMATEMÁTICO
barato
dexa d c quadrado
até a língua anda
triân gula
pro lado mais fácil
no tempespaço.
O oral
não tem hora
ora bolas
(é sempre + legal)
O contato
é linguagem
universal.

Duggan

Poema da série "7 Intromissões"

II
Tem algo de quebra na garganta
que se esconde enviesado
que cheira corte
e notas
Era uma alegria tão grande
que foi brincar de gangorra num caibro
pendurada por um lençol limpo
num balanço de artéria
e amores

Philip Gustton



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pindurados na venda do Seu Pinto:



à lá Oswald
triangulado &
narigudo


consensuais
com sensuais
consenso, uais!



*   *   *



poema de mapa
poema piada
poema primata


se nariz grande 
fosse sinal de pauzão
o brazil dava no rabo da América


*    *    *


à lá Beleléu e o chueck chueck
do sexo mindim do mineirim
que se decepciona (mas logo se conforma!)
com a meia no sutiã


 
onomatopeitiza  
ônomitopeitico   
sônomatoeupeito

 

*     *     *


a lá Bandeira


oh, que bão
é a libertinagem, ainda 
que seje d'manhã-cedim!         



Vinicius Tobias 








 Ah, mardita pinga que nos vacaia
quantos menos esgarniçado iam rí
se o mundo dispensa esse fogo de paia! 

domingo, 23 de novembro de 2014

Lamento olhando pela escotilha - Raisa Faetti




No singelo prosseguir, ao estonteante Deus clamei
Que deu luz aos verdejantes prados em minha mente
Máquina de caminhos espaciais tão doentes
Foste tu, Apollo, quem deitaste as ilusões que tanto amei

Trocaste os montes belos e delicados de nossa paisagem
Pelas bruscas e solitárias escarpas da Lua, ó quanta vaidade!
A perversa disputa entre NASA e Sputnik era de fato verdade
Minha lira agora lamenta a gélida e russa passagem:

Teu esforço, louro Apollo, não passou de mesquinha resposta
Apesar de tamanha glória entre as Américas.
Pois anos antes, um velho Sputnik havia já levado a aposta

Para esconder a covardia dos homens e o horror das histéricas
Elegeram o brilho da mais bela pastora, de forma cruel e imposta
Depois de ceifarem sua vida, vibraram em gargalhadas quiméricas


*pic: Raisa Faetti
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