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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Poeta é a pimenta do planeta: Assaltaram a Gramática

Assaltaram a Gramática
Assassinaram a Lógica
Huuumm!
Botaram Poesia
Na bagunça do dia-a-dia...

Assaltaram a Gramática é o nome de uma música (W Sailormoon e Lulu Santos) e de um curta (Ana Maria Magalhães) de 13 minutinhos, de 1984, cativante e bem humorado, com participação dos poetas Francisco Alvim, Paulo Leminski, Waly Salomão, Chacal , Ana Cristina César e não precisa mais nada pra ser demais.

Ótimos textos, além da emoção de ver toda essa trupe da geração de 70 que inventou e reinventou o solo tupiniquim que a gente pisa e aduba hoje, com toda a esperança do mundo. Evoé!



Alguns textos contidos no vídeo:

nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

Paulo Leminski


Tenho dito tenho dito tenho dito
E foi para isso
Que aprendeste de cor e salteado, que decoraste
Que gravaste no coração
As baladas de François Villon, o Vagabundo
E pregaste nas paredes as canções de amor de Safo?
Tenho dito
Tenho dito e aqui reedito
Que sou nefelibata nato.
Que antanho me supus uma máscara inscrita
Gigolô de bibelôs”
Que sempre serei surrupiador de souvenirs.
E é assim, Poeta, que te indefines?
Quem és, afinal?
A qual espécie de peixe pertences?
Um mero embaralhador de cartas
Um mero embaralhador das cartas pousadas sobre o veludo da mesa deste profuso cassino.

Wally Salomão



No mar de suplementos literários não lidos
de onde vez por outra emerge longínqua e espaçada
a voz ou o espelho da voz do imenso poeta
sobrenada o gesto prosaico do personagem de Arezzo.

Chico Alvim

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça
pelo telefone: tai,
eu fiz tudo prá você gostar,
fui mulher vulgar,
meia bruxa, meia fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra,vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras

(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

Ana Cristina César
certo dia quampa perguntou à cabra de nome capricho: “– mi ensina a voar.” capricho disse
simplesmente: “– não faça como eu”. e quampérius voou. às vezes ele ficava horas sem teto
para aterrissar. nisso ele se parece comigo, só que eu não sei voar.

Chacal


**Quem animar de ganhar seu tempo vendo essa pepita, clicaqui.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Poucas coisas são piores que tarde demais - Bukowski -

Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos...

Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.



Oh Yes


there are worse things than

being alone

but it often takes decades

and most often 
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than 
too late


*O documentário "Born Into This" é dos melhores já feitos sobre um escritor. Vale a pena passar esse tempo com o velho Buk.

"Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade."

to realize this

domingo, 4 de setembro de 2011

Sobre a indústria do antissemitismo e a manufatura da revolução cotidiana

Me deparei em outra dessas tardes quentes do méxico, com um documentário sobre a questão do "antissemitismo" hoje, nos EUA, em Israel e no mundo. Pra quem, como eu, não está familiarizado com o termo, pode-se entender que é, basicamente, uma homofobia contra judeus. Para nós brasileiros mineiros estudantes desinteressados poetas fudidos revolucionários de facebook etc.. parece estranho falar em judaísmo e intolerância etc.. parece aula de história, coisa de filme (e cada filme e novela que tem na "vida real"):



Realmente, não vejo no Brasil esse tipo de debate. Mas vejo o mesmo germe ideológico, o mesmo vírus memético sendo repetidamente propagado em diversas questões que tem sido debatidas por aí, cada vez mais, especialmente no que tange aos direitos dos homossexuais, negros, mulheres, indígenas, sem terra e a grande massa das ditas "minorias" das terras auriverdes e mundias.

Esse vídeo fala sobre a apropriação de um passado catástrófico para a perpetuação de toda uma milionária fábrica de dinheiro, e ainda, a manutenção de novos genocídios e invasões muito discutíveis como a questão que envolve o estado de israel x palestina.

Isso me lembra, inclusive, debates sobre a ditadura militar, a dilma, o serra, alguns conselheiros da UFSJ e todos que sofreram na mão da ditadura ou lutaram pelas "diretas já". Nós temos que respeitar o sofrimento do passado, aprender com ele, lutar contra a possibilidade de novas catástrofes sociais. Isso me remete a um texto que li antes de ver o vídeo, uma entrevista com o filósofo Slavoj Zikek, onde ele diz:

"Então concordo que há um perigo das ideias, mas acho que o dia seguinte é a parte mais importante das revoluções. Não me sinto fascinado por esses momentos de grande mobilização onde todos estão nas ruas, juntos, pedindo mudança. Isso sempre me lembra da França, onde todo conservador hoje, a começa por Sarzoky, diz: “claro, em 1968 eu estive nas barricadas”. O que me interessa é o dia seguinte."

Não tenho que falar muito pra gente fazer o paralelo Brasil x Ditadura - França x maio de 68 - Israel x Holocausto - Poetas e Músicos Revolucionários e Criativos x Ostracismos Criativo e Autovenda à Grandes Editoras e Gravadoras - "Diretas já" pós ditadura x "Diretas já" na UFSJ etc..

Simpatizei com o rapaz que fez o documentário. Conseguiu unir bem os pontos, mostrar - não com uma pretensa imparcialidade - as muitas faces de mais uma, das muitas, "indústrias" do medo, do terror.

Eu não tenho conhecimento profundo nesse assunto, mas pra mim ficou claro como a questão da intolerância é revisitada, apropriada, acoplada, utilizada, explorada de diversas formas em diversos lugares, sob distintas máscaras, argumentos, justificativas.

Gostei do final, ele dizendo em se olhar pra frente, numa imagem de estrada, caminho, e depois céu rubro de um crepúsculo para além das grades do campo de extermínio.

Coisas como essa me impulsionam a estar firme num pensamento que a nossa luta enquanto educadores, pensadores, artistas, cidadãos, acadêmicos - pessoas, enfim - está alicerçada num caminho que vai ao encontro de uma cultura que saiba entender diferenças. Aceitá-las. Conviver com elas.  Reconhecer a Alteridade, o Outro. Olhar para o passado para compreender e evitar catástrofes, e não justificar e germinar mais ideologias segregadoras.

E isso é menos uma postura clichê, cristã, moralista; que uma maneira de caminhar no sentido de novas possibilidades de aldeia e de mundo. Principalmente, uma maneira de olhar nos olhos da esfinge dos nossos tempos, e evitar a nossa destruição, que, como vemos, não deixa de nos rondar...


Pra não dizer que aqui não somos legalistas e constitucionais, vai aí uma proposta estatutária do nosso Tiago de Melo, que sempre primou pela raiz para sustentar a água, a brisa, a sombra, a manhã, o amanhã:
(poesia?)


 ESTATUTO DO HOMEM
   (Ato Institucional Permanente)

  Artigo I
 
   Fica decretado que agora vale a verdade.
   agora vale a vida,
   e de mãos dadas,
   marcharemos todos pela vida verdadeira.
 
 
   Artigo II
 
   Fica decretado que todos os dias da semana,
   inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
   têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
 
 
   Artigo III
 
   Fica decretado que, a partir deste instante,
   haverá girassóis em todas as janelas,
   que os girassóis terão direito
   a abrir-se dentro da sombra;
   e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
   abertas para o verde onde cresce a esperança.
 
 
   Artigo IV
 
   Fica decretado que o homem
   não precisará nunca mais
   duvidar do homem.
   Que o homem confiará no homem
   como a palmeira confia no vento,
   como o vento confia no ar,
   como o ar confia no campo azul do céu.

 
           Parágrafo único:
 
           O homem, confiará no homem
           como um menino confia em outro menino.
 
 
   Artigo V
 
   Fica decretado que os homens
   estão livres do jugo da mentira.
   Nunca mais será preciso usar
   a couraça do silêncio
   nem a armadura de palavras.
   O homem se sentará à mesa
   com seu olhar limpo
   porque a verdade passará a ser servida
   antes da sobremesa.
 
 
   Artigo VI
 
   Fica estabelecida, durante dez séculos,
   a prática sonhada pelo profeta Isaías,
   e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
   e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
 
 
   Artigo VII

   Por decreto irrevogável fica estabelecido
   o reinado permanente da justiça e da claridade,
   e a alegria será uma bandeira generosa
   para sempre desfraldada na alma do povo.
 
 
   Artigo VIII
 
   Fica decretado que a maior dor
   sempre foi e será sempre
   não poder dar-se amor a quem se ama
   e saber que é a água
   que dá à planta o milagre da flor.
 
 
   Artigo IX

   Fica permitido que o pão de cada dia
   tenha no homem o sinal de seu suor.
   Mas que sobretudo tenha
   sempre o quente sabor da ternura.
 
 
   Artigo X

   Fica permitido a qualquer pessoa,
   qualquer hora da vida,
   o uso do traje branco.
 
 
   Artigo XI
 
   Fica decretado, por definição,
   que o homem é um animal que ama
   e que por isso é belo,
   muito mais belo que a estrela da manhã.
 
 
   Artigo XII
 
   Decreta-se que nada será obrigado
   nem proibido,
   tudo será permitido,
   inclusive brincar com os rinocerontes
   e caminhar pelas tardes
   com uma imensa begônia na lapela.

 
           Parágrafo único:
 
           Só uma coisa fica proibida:
           amar sem amor.
 
 
   Artigo XIII
 
   Fica decretado que o dinheiro
   não poderá nunca mais comprar
   o sol das manhãs vindouras.
   Expulso do grande baú do medo,
   o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
   para defender o direito de cantar
   e a festa do dia que chegou.
 
 
   Artigo Final.
 
   Fica proibido o uso da palavra liberdade,
   a qual será suprimida dos dicionários
   e do pântano enganoso das bocas.
   A partir deste instante
   a liberdade será algo vivo e transparente
   como um fogo ou um rio,
   e a sua morada será sempre
   o coração do homem.






 
  Thiago de Mello
Santiago do Chile, abril de 1964
 


Agradeço a Luiz Felipe Martins Candido pela indicação.





terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Quem vigia os vigilantes?" ou "Oprimir ou não a opressão, eis a questão"

Acabo de ver um vídeo imerso no calor da madrugada mexicana, entre livros copos d’água e uma curiosidade que não me deixou voltar aos estudos antes de terminar de assistir. Terminei. Puto.  
Não posso ir deitar com a minha pesada consciência inconsciente tranqüila sem cuspir algumas roucas palavras. Na verdade, ela não está e nem estará tranqüila.
NÃO VOU ficar reproduzindo um sensocomumclassemédiauniversitária de que a mídia é uma merda os hippies são legais vocês são todos alienados vamos xingar os policiais.
Esse texto NÃO É um julgamento de valor sobre como os hippies, ou artesãos de rua, ou maluco da BR, ou bichos grilos etc., se vestem, o que eles usam, se as músicas que eles ouvem são boas, se eles são bonitos, se eles usam "drogas", se eles tomam banho, se eles passam creme hidratante no cabelo, se os trabalhos deles são bons, se eles são educados para abordar as pessoas ou se eles deviam ou não ser quem eles são, fazer o que eles fazem.
Mas algumas coisas ficam bem claras quando vemos esse vídeo. Vivo:
 A maldita máscara social que encobre o fascismo velado das pessoas que passam e não fazem nada pelo que está acontecendo, dessas roupas lindas que dizem quem é quem o que é o que quem deve ser respeitado quem deve ser fiscalizado quem deve ser massacrado quem deve ser calado.
A maldita máscara midiática da gente que vê e lê e compra e dá seu consciente e inconsciente de mão beijada pra esses manipulados manipuladores que nos dizem o que comprar de quem gostar o que vestir a quem beijar a quem amar a quem odiar o que pensar.
A maldita máscara legalista que se dá o direito de fazer o que quiser pelo bem de todos pelo bem dos tolos pelo bem do senso comum forjado pela segurança dos que pagam seu salário e que não é o povo mas quem controla o dinheiro do povo que não quer sair do oco encolhido em sua confortável casacascadeovo.
A maldita máscara opressora que pode roubar em nome da lei que pode dizer o que é e o que não é o braço do estado que não dá o mínimo para tantos que não se enquadram no jogo dos contentes para tantos que não querem nadar até o fundo do poço pra pegar a moedinha e subir no topo escroto dessa ridícula pirâmide social.
Se eu rogo pela destruição dessas e de tantas outras máscaras?
Não. Mas que ao menos usemos algumas com buracos nos olhos, mesmo que pequenos, para tentar acender alguma faísca nesse breu informativo, ideológico, cultural. Humano?
Pra quem sabe um dia ascendermos a fogueira da ação coletiva.
Sairmos desse curtoodiscurso.
Difícil acordar e depois de abrir os olhos, abrir os dentes num sorriso que não seja amarelo. Triste se deslumbrar com tanta beleza feita pelas mãos do mundo e pelas mãos e mentes do homem.
E parar pra pensar, e não saber, se vale a pena. Se vale a tinta. Se vale o sangue.

Canta, Mario Benedetti:
¿De qué se ríe?
(Seré curioso)

En una exacta
foto del diario
señor ministro
del imposible

vi en pleno gozo
y en plena euforia
y en plena risa
su rostro simple

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

de su ventana
se ve la playa
pero se ignoran
los cantegriles

tienen sus hijos
ojos de mando
pero otros tienen
mirada triste

aquí en la calle
suceden cosas
que ni siquiera
pueden decirse

los estudiantes
y los obreros
ponen los puntos
sobre las íes

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

usté conoce
mejor que nadie
la ley amarga
de estos países

ustedes duros
con nuestra gente
por qué con otros
son tan serviles

cómo traicionan
el patrimonio
mientras el gringo
nos cobra el triple

cómo traicionan
usté y los otros
los adulones
y los seniles

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

aquí en la calle
sus guardias matan
y los que mueren
son gente humilde

y los que quedan
llorando de rabia
seguro piensan
en el desquite

allá en la celda
sus hombres hacen
sufrir al hombre
y eso no sirve

después de todo
usté es el palo
mayor de un barco
que se va a pique

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe.

*Mario Benedetti foi um poeta, escritor e ensaísta Uruguaio. Escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema. Foi deportado, preso, exilado. Soube o peso da luvadeferro da soberana constitucionalidade, do militarismo, da uniformidade de roupa e pensamento. Ele viveu até ano passado, e não acharia graça desse vídeo:

 "criminalização do artista - Como se fabricam marginais em nosso país"


Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como PENICO. (Oscar Niemayer)


Higienização pra quem, cara pálida?


(Obrigado Jéss e Val pelas indicações)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Todo apoio aos professores do estado de MG!

Todo apoio aos professores do estado que estão a dias em reuniões da câmara dos deputados de MG! Respeito à educação pública já!




Parece entrada de texto de um site estritamente político, ou algo no gênero, e não de um grupo de poesia, né? Pois é, e o que seria desta, senão uma hipocrisia linguística quando desmembrada da política (em seu sentido amplo) e mais ainda, da prática educacional e midiática em nossa aldeia mineira e mundial? 


Enfim, o fato é que, ontem, no meu primeiro dia efetivo de férias, tentando fugir da pasmaceira global dos canais abertos em geral, fui ver o que tava rolando na TV assembléia, e pá: um tanto de professores com gritos de guerra em pleno plenário, lembrando inclusive situações vivenciadas pelo movimento estudantil na UFSJ no CONSU e em outras instâncias. 


(isso reforça a tese de que a questão é estrutural, ideológica e sistêmica, nos diversos níveis da política e do poder, e não pontual, como querem alguns).


Continuando:


Eu não estou acompanhando muitíssimo de perto essa história que já se arrasta desde o império Neves até o atual Anestesia, mas não dá pra entender como um governo leva por tanto tempo uma medida inconstitucional, que é a de não pagar (ou maquiar aumentos) o piso salarial nacional obrigatório  
 para os trabalhadores da educação. Aliás, dá pra entender, mas não sem indignação. Especialmente pela omissão da população, da mídia, do ministério público, do governo federal  e de tantas outras instâncias significadas pelas seguintes reticências . . .


o pior de tudo? é observar a forma mesquinha como é feita a "política" por aqui, que mais parece um grande jogo de interesses e propaganda.
Aliás, não se fala nada sobre isso em nenhum dos espaços da imprensa no estado. Daí há o senso comum de que esse governo está ótimo, e uns ainda culpam os professores de "não querer trabalhar".


O que mais cansa, é o silêncio forçado dos instrumentos de comunicação, e consequentemente o silêncio induzido da população; pior ainda, as palmas induzidas dentro de nossa gaiola ratoeira chamada democracia liberal.


Incrível que eu procurei na internet algo sobre a participação do movimento grevista da área da educação, encabeçados pelo SINDUTE, e da área da saúde, pelo SINDSAÚDE, e não tem praticamente NADA informando da situação ocorrida, o que é sintomático do controle da mídia televisiva, impressa e inclusive virtual por parte da base governista no estado. Parabéns aos professores e profissionais da saúde que, contra a corrente, insistem na luta por seus DIREITOS de condições salariais e estruturais dignas para atuarem em suas áreas.


Muito coerente a postura do "Bloco Minas Sem Censura" (PRB - PCdoB - PMDB - PT ), que estão fazendo um embargo aos projetos do governo, até que este abra as negociações (negadas) com os educadores e profissionais da saúde. 
Apesar da clara motivação de uma política oposicionista em relação à base do governo, ao menos tem alguém lá dentro para a apoiar essa luta digna, legítima e necessária.


Daí eu me pergunto: esse pessoal tá fazendo isso por acreditar nessa causa, ou por serem oposição? e se não fossem desses "partidos?". E os que não vão às reuniões que vão tratar desse tema ou vão embora para invalidar votações, ou votam contra a causa dos professores? será que eles realmente não acreditam na necessidade dessa medida, dessa mínima justiça?


Não consigo crer nisso, e não consigo crer nessa política partidária que parece partir só para repartir os pedaços do bolo do poder e do capital público, para ver com quem fica as maiores fatias.


Enquanto isso, ninguém desconfia dos donos da festa, escondidos entre os berros das bolsas e os gabinetes nos altos dos prédios espalhados nos grandes centros do mundo e das metrópoles.


Canta, torquato:


Literato cantabile

agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;

não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
(não se fala. não é permitido:
mudar de idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento.



toriquato, neto




E pra não deixar eu mentir soznho, segue o documentário "Liberdade, essa palavra", sobre a censura em MG.Vale muito a pena ver, pra tirar um pouco a viseira:



                                     




 Por Igor Alves










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