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sábado, 13 de junho de 2020

Pó ética + gif poema

Ir go pra quem não sabe, além de um anagrama do meu nome, é um pleonasmo bilíngue, tipo "short curto", o que não quer dizer absolutamente nada.
Pra quem acha que trocadilho não é matéria pra poema, fique à vontade ou com vontade aí no seu vanguardismo marginal, sua alta filosofia ou seu super intelecto supracadêmico, querendo dizer absolutamente tudo.
Enquanto vocês se importam demais na lucidez da crítica. Eu me exporto mais na ludicidade da vida.
Como quem curte um som, fazendo malabarismos com vibrações acústicas, arte também chamada de música.
A vocês, todas as honrarias e profundidades da eternidade artística.
Eu fico de boa na efemeridade da superfície ávida e vívida.

Prefiro
ferir
rir
ir
i
!
Sempre
a palavra poderá ser quebrada
Pá e lavra
que brada
nas lavras do dia ah dia
Talvez eu encontre
um bruto diamante
ou quem sabe, a brutal:

p o e s i a

{ ir go }





diOli

sexta-feira, 27 de março de 2020

Nada como o tempo - para matar

NADA COMO O TEMPO
para matar

como o tempo

( e não há nada
                   para saciar )

de cá a rotina
      o dia a dia
      para passar

Prezado prazo,
venho através deste
                                   comunicar:

ESTOU PRESO!
                            em cada medo
                            em cada dado
                            em cada dedo

Desatenciosamente,

_________
               Igor

(sigo como cínico ouvinte
o ritmo algorítmico
dos anos 2020)

Caro contrato,
estou inconsciente
mas quero continuar

exposto como uma fratura
 :

"É NECESSÁRIO
ASSASSINAR AS
ASSINATURAS ! ! !"

matar o tempo, sim
sem deixar impressões

                     digitais
                     manuais
                     editoriais

Quedar a vida inteira
caído como cachoeira

imitar o mito do vento
trespassar transparente

COMO O TEMPO
nada para passar

sigo o silêncio com o olhar:
uma bactéria florida

o sol e sua solidão espacial
sua melancolia de nunca ver o dia

entediado em sua escravidão
               gravitacional

rotações translações como
prótons                    nêutrons

sonhando fugir de seu giro
N     U      C     L    E     A     R

como eu . . . nesse tédio trágico
t e m p o f á g i c o

encaro o cotidiano
pleno de planos

de explodir o mundo
de construir o futuro

de tornar toda folha vazia
um           lugar         seguro

Mas isso tudo pode esperar . . .
por ora:

               preparar
               apontar
               e atirar

Afinal, nada como o tempo para

(se) matar.

( ir go - Igor Alves)

domingo, 21 de agosto de 2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Poemas Golpistas.

O dia de hoje está super inspirador. Um novo governo surge promovendo cortes e alegrias! Muitos poemas foram escritos hoje pelos poetas na rede, e outros foram trazidos a dizerem algo nessa sexta-feira 13 tão especial, ei-los:


Pequena Oração para Batismo Clandestino


Que eu transite livremente pelo país que é o lar de meu coração.
Que ninguém me barre os passos improvisados,
a dança delirante pela rua.

Que ninguém ao pé de porta me peça título de eleitor.
Ninguém meta constituição em argumento.
Alô polícia, eu tô usando um exocet calcinha
Alô polícia, corpo da lei. Mas, que lei?
Jà em curso meu próprio golpe legitimador
do Estado Independente de Mim Mesmo
Anota aí: erregê lua, cepeefe nuvens nuvens

O país não me representa. Não me representam os meus pais,
a língua do normais... Um beijo e até mais!


(Mingau)

*    *   *


Os Muros

Arrames invisíveis
cerceiam
As farpas de ventos
do Sul.
Nau do Norte
Oh, Sorte
Movem moinhos?


O medo me 
dita
é a regra.
Fé é cega
e Esperança 
transborda.

As crianças
(natimortos)

Sem escola
Tem gorjeta!
Tem esmola!
Oportunidade?
Não.

E nos bares

os muros,
[se rompem]
Corrompem corações.
As ruas, as praças
Condomínios fechados
(Assunto proibido)


A "fachada" avisa:
Perigo!
Aos gritos
[fecundo silêncio]

Quem é o inimigo!

Quem é o "eu"?
Quem é voce?


(Iberê Marti)


*   *   *

Luto de Preto que é pra apaziguar a falta de paz nas bandeiras Brancas

Sinto muito e menos um pouco que o tamanho bastante
infante, delirante, diamante brindado no sangue
dos olhos de todos os que ficaram sem mangues

Sem poros abertos pra suar o amor ao quotidiano
eu sinto menos e não tenho que Temer sozinho, Temer jamais!

Somos da raça do mundo, das digitais dos encontros, dos sem-muros

Sexta-feira 13 trouxe seus aposentos, sente-se e se sirva dos anos
o ministério da cultura encontra as flores amareladas de espanto e um
tumulo ao lado da sepultura das mulheres da terra, raiadas pelo corte de
suas iluminações;

[apagão as claras]

A morte chora o seu pranto e ri o seu riso: o medo tomou o ceio do corpo
e me adoece os homens com uma vida pronta, a ponto de não saberem
morrer, vão se restando em almas, penadas e peladas de calor, pelo
senado, sem nada mais a dizer, me retiro... num silêncio preto e gritante.

(Clélio Souza)

*   *  *


meu cu
e, no cu
uma rosa cujo caule
está cuidadosamente enfiado
um brilho grande no cu e rosa
a rosa do cu
eu desfilo cor de rosa
brilhando, amando, cantando

alegria e purpurina
é enfeite, que dá o contorno da coisa
pintam sobrancelha
e batom na boca
viver, impreterivelmente

viver, mais que tudo
e com tanto furor
que como um pingo de detergente
num molho de panela pós-fritura
tudo quanto não é vida
fuja desesperadamente de mim

(Vinicius Tobias)

*   *  *

 - - - - - poema trago à baila ------- 


prOs Fernandes e Martelo de Pano e outros que proclamam a 

independência na terceira margem de todo dia e toda noite

Eu sei 
nas margem da indústria da cultura
eu também sentei
e chorei

Mas já dissemos numa tarde:
sem culpa
antes arte
do que nunca

né?

É
Tá dificil
ficar de pé
ferir a fé
no cotidiano

Mas berramos 
como um bode sacrificado
como um deus despedaçado

EVOÉ!

Seguimos na criação,
mesmo se não
já que deus deu o verbo
e depois ficou quieto

BERRO

Os ecos de eros e thánathos

BERRO


a besta no nosso âmago


Baco nos abençoa
apesar do mundo
a vida é boa

a gente tenta
a gente venta
a gente inventa

até onde for
até onde flor

cria 
canta
dança
criança
música
esperança

essas trilhas
traços
abraços
becos e buracos

aos tombos e trombones

já que tudo parece
tão raso
já que tudo perece tão fácil

musicar: lançar
malabarismos de ar

nonada: projeta
projeta-se a manada

olhamos para o abismo 
e nos jogamos

nós

e nosso riso

nós

e nosso grito.

[In: finito]


(Igor Alves)




domingo, 30 de novembro de 2014

Igor Alves

VOSSAMERCÊ
VOCEMECÊ
VOSMECÊ
VOMECÊ
VOCÊ
OCÊ

C
caro
GRAMATEMÁTICO
barato
dexa d c quadrado
até a língua anda
triân gula
pro lado mais fácil
no tempespaço.
O oral
não tem hora
ora bolas
(é sempre + legal)
O contato
é linguagem
universal.

Duggan

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

De corpo e software - Igor Alves

não que eu me importe 
com a altura da sua 
literatura
escorrendo pelo
cânone

sei, é deprimente
a cultura pop
subdesenvolvida
dessa triste
américa latina

felizmente
pra aumentar 
minha auto estima
tenho o face

compartilho uma 
frase do Shakespeare

não sei se é confiável
mas é bonita

se quiser comente
mas não critica

a situação da crítica
é crítica

leio e me livro
depois caio
na vida

tem novela às nove
depois jogo do flamengo

na night um show
de samba rock

no corujão vai passar Hamlet


vou assistir
.
.
.
se chegar a tempo




* pic: Glauco Soares

terça-feira, 15 de maio de 2012

Luz quimera e ação - Igor Alves

Luz, quimera, ação

um dia
ainda vão perguntar
como sobre vivi
à ditadura

do olhar

como driblei a censura
do criar
nos cárceres
da indústria

da cultura

ainda vão achar graça
de quem ria do profeta
que vivia de poesia
em vez de massas

e matéria

se perguntará
como um tal político
com grana e propaganda
calava e roubava o povo

com um sorriso no rosto

como esse homem, coisa feia
pisou na lua
mas não sabia sair às ruas
pra conquistar

a própria aldeia

por quê se falava tanto em deus
em separar o joio do trigo
mas não sabia cuidar dos seus
nem reciclar seu próprio

lixo

se eram de verdade
as máscaras do baile
chamado sociedade
ou teatro

de vaidades

daí vão querer saber
como se deu essa transição
e aí alguém vai dizer
primeiro foi o sonho

depois: ação

Bansky

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Cracolândia é o Mundo

Olá navegantes.

Com gosto retomamos nossas atividades virtuais depois de um breve recesso por motivos pessoais e intransferíveis. Renascemos do casulo dispostos a de um contribuir de forma incisiva para o fim do mundo que se aproxima.

Por falar nisso, vou aproveitar o embalo pra falar sobre uns temas que tem feito barulho esses dias, e não tem nada a ver com o homem do filtro solar e seu programa que é a cara do Brasil de lavadeiras e fofoqueiras.

É o seguinte, recentemente desocuparam com força policial a USP, algumas favelas com as tais UPP's e a cracolândia paulista. Não é difícil ver uma relação entre isso tudo, que é o uso da força estatal para reprimir os "criminosos" em pontos chave da sociedade. Não vou bater muito na tecla da ocupação uspiana, eu acredito que ocupar espaços públicos não tem NADA a ver com vandalismo na medida em que esse ato se configura como um ato político, e também acho que seria muito mais eficaz uma força de segurança universitária autônoma, que não tenha nada a ver com a polícia militar, especialmente pelo histórico de atrito que existem entre essas duas instituições públicas ponto. E não cola pra mim o argumento geral que aquele bafafá todo era pra lutar pelo direito de fumar maconha na universidade, feito por alunos que não estudam e só querem mamar nas tetas do governo. 

Claro que isso existe, mas militância política estudantil não é, absolutamente, coisa de desocupado, e que pena que a esmagadora maioria das pessoas que se envolvem na política nos níveis municipal, estadual e federal não tem nenhum objetivo que não seja aumentar o firmamento que sustenta seu umbigo, e o bolso, é claro.

Quanto ao que tem passado em favelas e cracolândias, tem a ver com uma prática de higienização social que, pelo que me parece, tem a ver mais com limpar a vista pros turistas para a copa do mundo do que com algum intuito de transformação social. Se for só isso mesmo, como ninguém vai confessar, é só tratar o problema do crime e do vício como uma guerra, jogar a policia e o exército e pronto.

Uma reforma social passa pela segurança sim, mas acompanhada de uma série de pontos. No caso de SP o acesso à clínicas para tratamento de dependentes, combate à miséria e à pobreza extrema seriam o mínimo. Não me desce pela garganta gente vivendo daquele jeito num país rico como o nosso, só porque eles foram segregados dentro da lógica de compra e venda que perdura a tanto tempo no nosso país. Sem querer instaurar o comunismo de Fidel aqui, acho que o estado tem sim uma dívida histórica com todas as pessoas que não tem condições de moradia, saúde, alimentação educação e cultura. Ficar nesse papinho meritocrático de cima do trono é confortável e essa ingenuidade beira a crueldade.

O problema das drogas é bem mais profundo do que o moralismo burguês e cristão que é usado de forma geral pra tratar do assunto. É uma questão de saúde pública, de segurança, de um poder paralelo que surge pela ausência do estado, e impõe a sua força através da violência, como não poderia deixar de ser. Há outras drogas na praça, e sempre haverá um Al Capone pra vender o que seja proibido, e deixar para trás um banho de sangue enquanto os títeres da lei decidem o que deve e o que não deve ser legal, a partir das cordas que regem suas decisões.


Quando eu passei na cracolândia, sete horas da manhã da virada cultural, logo depois de um show bonitíssimo do Palavra Encantada, cheio de crianças e famílias, foi uma das cenas mais tristes da minha vida, até pelo contraste. Não consigo explicar o que eu senti, não há imagem de espanto, engasgo, frio na barriga, desespero pela condição humana ou alguma coisa que traduza.

A polícia sempre é um meio fácil de resolver os problemas pela força, quando não se consegue com outros meios, especialmente para os regimes totalitários e os pretensamente democráticos que cada vez mais se revelam outras ditaduras do consumo, da propaganda, da corrupção e da desigualdade.

Triste até que ponto de barbárie chegamos devido à pobreza e à riqueza.

Fica umas palavras e uns poemas que saíram a partir desse contexto.

Ainda em tempo:

Pelo andar da carruagem estou em dúvida de quem vai ganhar a Copa do Mundo:
As empreiteras, os patrocinadores, a Fifa, magnatas da construção civil?

Façam as apostas, o bolão e a corrupção já começaram.












A cracolândia é o mundo


Quem aos vícios
se nega


que acenda
a primeira pedra


...


Viciados em crack


Entre o neymar
e a cocaína


a questão é
de adrenalina


...


Criminalidade


Entre tiro de pó
e bala de boracha


não saberia dizer
qual a maior ameaça







quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mirada do alto da Serrinha ou felicitações pelos 180 anos de Lavras

Mirada do alto da Serrinha

Eu vejo Lavras bailar suas baladas de máscaras
negras alternativas de chapéu camisa social
coturnos camisetas de micaretas ou metal
em cima de seus truques suas tribos e refúgios.
A Cofap explodindo em fumaça e suor
Do noiteanoite de suas máquinas
Mas domingo tem missa na matriz
tem palestra no augusto silva
tem culto na presbiteriana
Tem circuitogoninhodarcebares
Tem a praça com entrada de graça
E tantos outros espaços para praticar
E esquecer os nossos pecados cotidianos
Enquanto a juventude universitária bebe
O investimento que seus pais fizeram
No gammon no cnec nos cursinhos
No futuro do sangue do seu sangue
O investimento dos barões do café
Do latifúndio das estatais da soja
E esse lucro ainda há de acabar
com a fome do mundo
Ainda há de alimentar todos
Os carros de forma sustentável
Entupir as veias da cidade
De vaidades motorizadas
Bem motivadas pelo progresso
Comercial dessa cidade modelo
Modelo
Alta, magérrima, triste atrás
De suas multicolores maquiagens
De sua praça cheia de luzes
E bancos e bancos e estacionamentos
Enquanto chora uma idosa a demora
De um vereador que esqueceu
Sua caixa d’água
Mas suas netas não esqueceram
(talvez o nome, não a sede)
Ao contrário de seus primos
No são Vicente no barro preto
Na COHAB no Pitangui e tantos outros
Que já se esqueceram e inventaram
Seus meios mais ou menos
Legais,
legais pra quem carapálida?
E tudo se esconde sob a poeira
que se levanta sob os pés
no campinho de terra
enquanto no alto da madrugada
uma menina é assaltada por uma pedra
de crack bem intencionada
que não quer machucá-la
só redistribuir a renda e sustentar
uma, só uma, baforada.
Tátudobem a brisa a revolução
Estendida no sofá no brejão
Correndo na perimetral de manhã
Tem de tudo, menos calçada
um cachorro morto, um homem talvez,
Tem esperança até, mesmo que as vezes
Caia no buraco, ou morra no morro
Por não saber controlar
A embreagem. A embriaguez.
E como é difícil
Esse controle.
Talvez não pra jornais que
Imprimem tudo no plano
Tudo em linha reta. Confabulando
Posições e oposições. Como o sol
Que já se deita atrás de minhas costas
E acende as luzes da cidade sob
O afogamento da ponte do funil.
A noite começa e o baile não pode esperar.
Resta outra espera. Desesperada.
Talvez algo que assome
De alguma distante, neblinosa

 alvorada.

Igor Alves

Serrinha - Lavras/MG -

terça-feira, 19 de julho de 2011

Lançamento do Zine 5.000 sentidos - Igor Alves

O Grupo Larvas Poesia orgulhosamente convida a todos para um evento que com certeza será marcante para a história do grupo: O lançamento do Zine 5.000 Sentidos do Membro Fundador do Grupo Igor Alves.
Esse evento marca por ser propriamente o primeiro evento feito pelo grupo concomitantemente com o lançamento do primeiro material feito pelo coletivo. Além do "5.000 Sentidos" do Igor, tambem estarão expostos os zines "Raparam a panela e agora estou com fome" e "Cada um no seu quadrado: onde ponho uma maçã no universo?" de Vinicius Tobias
Como programação, podemos contar com som do Gabriel Resende e Luis Nascimento fazendo um tributo à Sérgio Sampaio. Receberemos também o Grupo de Poesia recém-formado em lavras o grupo Maravaia, dos nossos parceiros e o figurão Barkaça, presenças que garantirão um recitalzão, e todos poetas que tiverem por aí de bobeira e que quiserem recitar vamo que vamo...
E haverá tambem a exposição fotográfica de Marlon Franco "Gestos e Faces", tá tudo fechadinho sá falta você aparecer e arrasar.

Vai aí o cartaz seguido de uma degustaçãozinha!








como ser um jovem
descolado
nessa vida
de retalhos?

como ser um menino
comportado
nessa igreja
de pecados?

Igor Alves

sábado, 21 de maio de 2011

Dois poemas larvenses para apresentação


Primavera de Pragas

No fim do inverno não há flores
Mas as folhas, um pouco fustigadas pelo frio
Estão verdes como pérolas
                                 [se as pérolas fossem verdes


Eu as vezes costumo subir em um lugar alto
E olhar as edificações construídas pelo homem
Luzes de cidades vistas do alto de um lugar alto
Causam comoção e melancolia


Os arbustos são invadidos por larvas
Aquelas taturanas verdinhas ou vermelhas
Que a gente evita muito encostar
Pois queimam muito, alguns venenos até dão febre...


Outras vezes me vejo em antros de jovens
À procura de sexo e rock’n roll
E uma massa insólita de homens iguais tenta
                                     [carregar as convenções do mundo
Sorte que como querem demais nos pegar
A resistência há de ser fofa, carinhosa e cabeluda
Estamos meticulosamente rasgando a seda
caido nas graças do prazer à desordem


se fores aos jardins
Verão seus arbustos que não estão floridos
Repleto de mordidas das malditas larvas
A gente compra veneno e tenta acabar com elas
E por mais que sejamos mais poderosos
Tenhamos armas esmagadoras
Elas são pequenas e numerosas demais para serem exterminadas


Mas é difícil demais avançar
Batalhões de jovens vistosas maquiadas e perfumadas
Saem de casa toda a sexta e sábado à noite
Batalhões de homens com seus braços fortes e carros roncosos
E a madrugada, a virgem santíssima madrugada de todos os dias
É irrompida por um escarcéu de pecado sistemático
O próprio pecado da vida
A cumplicidade


Daí um tempo depois aquelas larvas somem
Elas destruíram em parte as folhas do arbusto
E foram engordando e engordando
Você as procura e não encontra
Quando se dá por si
Aqueles arbustos quase destruídos florescem todos
Cerca de 2 a 3 dias depois as borboletas chegam coloridas e magníficas
Você sacou de onde elas vieram
É a primavera que foi se construindo do asqueroso e da destruição!

                                                                                                                  Vinicius Tobias

Eu sou seu João sujo
E você também

Sou a mina malavrada
Também você

Risonho roedor entre ratos
dentes no ventre dos fatos

Daqueles que são puxados
Pela gravidade do ar (pesado)

exalando pelos poros da Cidade
cheia de nós, mas de olhos fechados.


Como vermes urubus ou moscas
Para planar devorar pousar sopas


Ler a linha de podridão inscrita
Na trilha de todas as mãos


O mundo imundo. O poço do fundo.
O eco do oco dentro de tudo.


Somos o Não.
O prazer é nosso.

                                                                                   igor alves
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