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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Cris Penoni - Monstros Alados

Inquisição
Velheira literária
Alfarrábios
Um ordálio
.
Confesso ter o gosto esnobe
Dos estudantes de literatura
É uma das minhas falhas de caráter
----------------------------------------------------
Pirataria
Faço poesia pirata
Aproprio-me de poemas alheios
Procuro um porto recluso
E ali enterro
Versos, estrofes, rimas, aliterações
.
Pirateio minhas ideias
Ponho-las sob pedra
Misturo com os tesouros saqueados
E proponho inúmeras transformações
A poesia que brota da poesia
Tal é meu lucro bucaneiro
.
Um porém:
Poesia corsária, jamais
Salvador Dalí



sexta-feira, 9 de maio de 2014

Monstros Alados - Cris Penoni

Translação

Os ponteiros se arrastam

Vejo o 3 
virar 4 
e 5
e 6
e
6
.
Damos feliz Natal
No Ano Novo
Pulando Carnaval
Enquanto jejuamos
Aplaudindo Dom Pedro
Pela Padroeira do Brasil
Proclamando a República.
.
As coisas que existem no mundo: 
o computador, 
a bibliografia, 
o prazo, 
a enxaqueca
 
1 note
Kandinsky

O beijo

A parede beijou o menino
Eu juro que aconteceu
Ele vinha cambaleante
Ele vinha assim meio sem rumo
Ele nem era bonito
(quero dizer, depende do que é que você considera bonito)
Mas a parede viu o menino
E foi amor à primeira vista
A parede ficou louca
Começou a dançar na frente do pobre garoto
E a passos vacilantes
Passos cada vez mais incertos
Os dois chegaram infinitamente próximos um do outro
Ela abraçou o menino
O jogou pra trás
E tascou um beijo
Um bem grande, daqueles de cinema
E agora você vem me dizer que parede não tem sentimento, que parede não beija, que parede não ama? 
Que parede não pode ser sujeito para frase cujo verbo é beijar?
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