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sábado, 8 de outubro de 2011

Em apoio à Dandara

O Grupo Larvas acredita na construção de um mundo para além de legalidas que segregam, oprimem e matam as pessoas, seja através da polícia, da política ou da miséria. Apoiamos as mulheres, homens e crianças de Dandara, e todos que estão juntos em sua luta. Segue um comunicado das Brigadas Populares sobre a situação vivida por essas pessoas, por todos nós:

Belo Horizonte, MG, Brasil, 07 de outubro de 2011

As Brigadas Populares (BPs) comunicam a todos/as a situação quepassa a Ocupação-comunidade Dandara, espaço territorial localizada no BairroCéu Azul, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Esta comunidade surgiu no dia09 de abril do ano de 2009 com cerca de 200 famílias e foi crescendo rapidamenteaté contar com cerca de 1.000 famílias na atualidade.

Desde o primeiro dia de ocupação, tentamos construir uma propostade negociação com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, dirigida peloprefeito Márcio Lacerda e com o Governo de Minas, que hoje é conduzido pelogovernador Antônio Anastasia. Realizamos inúmeras audiências, solicitações dereuniões, atos públicos, sem, contudo, conseguirmos a abertura das negociaçõescom os governos. Intransigentes em relação aos pobres e solícitos em relaçãoaos empresários, o prefeito de BH e o governador de Minas viraram as costaspara situação, deixando a cargo do judiciário a decisão em relação ao despejo.Não tiveram a grandeza de procurar evitar o conflito e defender os direitossociais e humanos daqueles que lutam pelo bem mais básico, a moradia.

Em última audiência realizada na 20ª Vara Cível, com a presençadas lideranças da Ocupação, assistidas juridicamente pela Defensoria Pública deMG, e da Construtora Modelo, por seus advogados, a única proposta de negociaçãodefendida pela construtora apontava para a verticalização total da área,reprodução do mesmo modelo de segregação social vivenciado na cidade, comprédios destinados a moradia das famílias de menor poder aquisitivo e outrosdestinados a famílias de maior renda. E, ainda, não sendo suficiente, exigiaque todos os moradores saíssem de suas casas, sem nenhuma garantiaindenizatória ou de qualquer outro tipo, para que depois, supostamente,retornassem para apartamentos de 39,5 metros quadrados que seriam comprados viaMinha Casa, Minha vida. Apresentamos uma contraproposta intermediária, queverticalizaria parte da área ocupada sem a remoção das famílias, mas a Construtora
Modelo manteve-se intransigente em sua posição.

Assim, no dia 03/10/2011 recebemos a notícia que em dois diasseria publicada decisão do juiz da 20ª Vara Cível determinando expedição demandado de despejo contra a Comunidade Dandara. Não houve nenhuma preocupaçãocom o destino dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras, crianças e idososque poderão ser retirados à força pela polícia, sendo que a conseqüência dissoserá a violência, os espancamentos, abusos de crianças, e a possível morte de muitos. ANUNCIAMOS MAIS UMA VEZ O MASSACRE!!!

A Prefeitura de Belo Horizonte, o Governo de Minas e o PoderJudiciário acreditam que o despejo é uma solução, que com ele estarãoresolvendo um “problema”. No entanto, qualquer consciência minimamente honestapercebe que o despejo gerará um conflito social sem precedentes na história deBelo Horizonte. Basta entender que são 1.000 famílias sem-teto, mais de 5.000pessoas jogadas de uma vez só nas ruas, sem nenhum tipo de apoio ou alternativa de habitação.

A Ocupação Dandara representa uma solução para milhares de pessoasque moravam em áreas de riscos, em cubículos alugados, na rua e em situação deprofunda vulnerabilidade social. No entanto, ao se organizar para reivindicarseus direitos, os moradores estão sendo tratados como problema por aqueles quelucram com as desigualdades e as injustiças.

Diante desta situação é necessário lucidez e grandeza, poisexistem alternativas que podem evitar o despejo e o MASSACRE. Continuamosabertos às negociações e ao entendimento, como sempre estivemos. Acreditamosque algumas providências podem e devem ser tomadas para garantir o respeito àdignidade e à vida dos habitantes da Ocupação-comunidade Dandara. Por isso reivindicamos:

1) Suspensão imediata da ordem de despejo;
2) Que a Prefeitura de BH e o Governo do Estado abram negociações;
3) Que a Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte vote o projeto de lei quedeclara o perímetro da Ocupação-comunidade Dandara como uma área de interessesocial para fins de moradia para a população de baixa renda. Levando, assim, a desapropriação da área pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Estas medidas evitarão a violência e oferecerão uma saída justapara todos. A área da Ocupação-comunidade Dandara oferece condições para que asfamílias lá instaladas vivam com dignidade. E, ainda mais, pode ser administradaurbanisticamente para que outras famílias sem-teto que hoje se encontram nosmais de 100 núcleos de habitação, esperando na fila do Orçamento Participativoda Habitação, sejam também contempladas com moradias no mesmo local,contribuindo para diminuir o déficit habitacional do município de BeloHorizonte.

Convidamos mais uma vez a Sociedade Civil, apoiadores, ativistas epessoas preocupadas com o destino da cidade para que reforcem a Campanha deSolidariedade e apoio à Ocupação Dandara, participando deste movimento emdefesa de uma cidade justa, sem despejos e sem violência.

Participe das atividades realizadas na ocupação, acesse os blogs da organização e mantenha contato conosco:

CONTATOS:
Rosa:militante da Frente Pela Reforma Urbana BP’s MG – moradora/coordenadora, cel.:31 9287 1531 – E-mail: rosad2011@live.com
Junio: militante da Frente PelaReforma Urbana das Bps MG, cel.: 031 86951966
Joviano Mayer, advogado e militanteda Frente Pela Reforma Urbana das Bps MG: CEL.: 88154120
Rafael Bitencourt: militante da FrentePela Reforma Urbana das Bps MG
Maria do Rosário (advogada): cel.:31 9241 9092, E-mail: rosariofi2000@yahoo.com.br
Frei Gilvander Moreira, cel.: 319296 3040, e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br
Obs.: Venha visitar a ComunidadeDandara. Consulte www.ocupacaodandara.blogspot.com– http://www.brigadaspopulares.org/

...

Faz escuro, mas eu canto. Cantamos.

Cuando un dueño de la tierra proclama: “¡para quitarme tal propiedad tendrían que pasar sobre mi cadáver!” debería tener en cuenta que a veces… pasan.
Mario Benedetti

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Quem vigia os vigilantes?" ou "Oprimir ou não a opressão, eis a questão"

Acabo de ver um vídeo imerso no calor da madrugada mexicana, entre livros copos d’água e uma curiosidade que não me deixou voltar aos estudos antes de terminar de assistir. Terminei. Puto.  
Não posso ir deitar com a minha pesada consciência inconsciente tranqüila sem cuspir algumas roucas palavras. Na verdade, ela não está e nem estará tranqüila.
NÃO VOU ficar reproduzindo um sensocomumclassemédiauniversitária de que a mídia é uma merda os hippies são legais vocês são todos alienados vamos xingar os policiais.
Esse texto NÃO É um julgamento de valor sobre como os hippies, ou artesãos de rua, ou maluco da BR, ou bichos grilos etc., se vestem, o que eles usam, se as músicas que eles ouvem são boas, se eles são bonitos, se eles usam "drogas", se eles tomam banho, se eles passam creme hidratante no cabelo, se os trabalhos deles são bons, se eles são educados para abordar as pessoas ou se eles deviam ou não ser quem eles são, fazer o que eles fazem.
Mas algumas coisas ficam bem claras quando vemos esse vídeo. Vivo:
 A maldita máscara social que encobre o fascismo velado das pessoas que passam e não fazem nada pelo que está acontecendo, dessas roupas lindas que dizem quem é quem o que é o que quem deve ser respeitado quem deve ser fiscalizado quem deve ser massacrado quem deve ser calado.
A maldita máscara midiática da gente que vê e lê e compra e dá seu consciente e inconsciente de mão beijada pra esses manipulados manipuladores que nos dizem o que comprar de quem gostar o que vestir a quem beijar a quem amar a quem odiar o que pensar.
A maldita máscara legalista que se dá o direito de fazer o que quiser pelo bem de todos pelo bem dos tolos pelo bem do senso comum forjado pela segurança dos que pagam seu salário e que não é o povo mas quem controla o dinheiro do povo que não quer sair do oco encolhido em sua confortável casacascadeovo.
A maldita máscara opressora que pode roubar em nome da lei que pode dizer o que é e o que não é o braço do estado que não dá o mínimo para tantos que não se enquadram no jogo dos contentes para tantos que não querem nadar até o fundo do poço pra pegar a moedinha e subir no topo escroto dessa ridícula pirâmide social.
Se eu rogo pela destruição dessas e de tantas outras máscaras?
Não. Mas que ao menos usemos algumas com buracos nos olhos, mesmo que pequenos, para tentar acender alguma faísca nesse breu informativo, ideológico, cultural. Humano?
Pra quem sabe um dia ascendermos a fogueira da ação coletiva.
Sairmos desse curtoodiscurso.
Difícil acordar e depois de abrir os olhos, abrir os dentes num sorriso que não seja amarelo. Triste se deslumbrar com tanta beleza feita pelas mãos do mundo e pelas mãos e mentes do homem.
E parar pra pensar, e não saber, se vale a pena. Se vale a tinta. Se vale o sangue.

Canta, Mario Benedetti:
¿De qué se ríe?
(Seré curioso)

En una exacta
foto del diario
señor ministro
del imposible

vi en pleno gozo
y en plena euforia
y en plena risa
su rostro simple

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

de su ventana
se ve la playa
pero se ignoran
los cantegriles

tienen sus hijos
ojos de mando
pero otros tienen
mirada triste

aquí en la calle
suceden cosas
que ni siquiera
pueden decirse

los estudiantes
y los obreros
ponen los puntos
sobre las íes

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

usté conoce
mejor que nadie
la ley amarga
de estos países

ustedes duros
con nuestra gente
por qué con otros
son tan serviles

cómo traicionan
el patrimonio
mientras el gringo
nos cobra el triple

cómo traicionan
usté y los otros
los adulones
y los seniles

por eso digo
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe

aquí en la calle
sus guardias matan
y los que mueren
son gente humilde

y los que quedan
llorando de rabia
seguro piensan
en el desquite

allá en la celda
sus hombres hacen
sufrir al hombre
y eso no sirve

después de todo
usté es el palo
mayor de un barco
que se va a pique

seré curioso
señor ministro
de qué se ríe
de qué se ríe.

*Mario Benedetti foi um poeta, escritor e ensaísta Uruguaio. Escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema. Foi deportado, preso, exilado. Soube o peso da luvadeferro da soberana constitucionalidade, do militarismo, da uniformidade de roupa e pensamento. Ele viveu até ano passado, e não acharia graça desse vídeo:

 "criminalização do artista - Como se fabricam marginais em nosso país"


Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como PENICO. (Oscar Niemayer)


Higienização pra quem, cara pálida?


(Obrigado Jéss e Val pelas indicações)
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