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domingo, 28 de janeiro de 2018

3 de abril

não deixar escapar mais nada. devorar  ninguém vai entender isso. ninguém vai entender que eu ponha o mesmo disco duas, três e ontem à tarde mais de cinquenta vezes seguidas e vou escutando. é assim que eu quero. sem essa de não ouvir o disco. o lado ouvir o disco: essa varanda essa ciranda quem me deu foi lia. a letra mais triste que eu já ouvi numa música, não conheço nada tão triste. vou escutando. e vou guardando para a frente, não sei em que vou dar, não posso dizer que não quero saber, mas não sei. em verdade estou num pânico medonho, estou guardando demais, onde fica a saída? fazer um pum de revista e poder balançar o dedo. não quero nem saber, rosa murcha é a puta que pariu. e não tem primavera não, é estrume. na minha terra com estrume rosa dá melhor. e mesmo sem essa de rosa: estou guardando as coisas, escuto o disco, quero ver onde vou parar. isso é sério. quero tudo com orquestra, a barulheira toda organizada, domingo no parque. a day in the life. não posso ficar trancado a vida inteira. vou dar um pum de revista, passear por aí estampado. vinha pensando na rua: assim não é possível. usar a cabeça e as mãos e usar os pés e o pau. lennie dale. tornei-me um ébrio do que deve ser louvado, agora chega. bandolim, e ela nem chega na janela. agora chega. processo no marconi. processo no gil. pró-nimim, que não é mais possível. depois arrebento: filmo ana com são-paulo, faço o meu pum.


Torquato, neto
1968- SP

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Todo apoio aos professores do estado de MG!

Todo apoio aos professores do estado que estão a dias em reuniões da câmara dos deputados de MG! Respeito à educação pública já!




Parece entrada de texto de um site estritamente político, ou algo no gênero, e não de um grupo de poesia, né? Pois é, e o que seria desta, senão uma hipocrisia linguística quando desmembrada da política (em seu sentido amplo) e mais ainda, da prática educacional e midiática em nossa aldeia mineira e mundial? 


Enfim, o fato é que, ontem, no meu primeiro dia efetivo de férias, tentando fugir da pasmaceira global dos canais abertos em geral, fui ver o que tava rolando na TV assembléia, e pá: um tanto de professores com gritos de guerra em pleno plenário, lembrando inclusive situações vivenciadas pelo movimento estudantil na UFSJ no CONSU e em outras instâncias. 


(isso reforça a tese de que a questão é estrutural, ideológica e sistêmica, nos diversos níveis da política e do poder, e não pontual, como querem alguns).


Continuando:


Eu não estou acompanhando muitíssimo de perto essa história que já se arrasta desde o império Neves até o atual Anestesia, mas não dá pra entender como um governo leva por tanto tempo uma medida inconstitucional, que é a de não pagar (ou maquiar aumentos) o piso salarial nacional obrigatório  
 para os trabalhadores da educação. Aliás, dá pra entender, mas não sem indignação. Especialmente pela omissão da população, da mídia, do ministério público, do governo federal  e de tantas outras instâncias significadas pelas seguintes reticências . . .


o pior de tudo? é observar a forma mesquinha como é feita a "política" por aqui, que mais parece um grande jogo de interesses e propaganda.
Aliás, não se fala nada sobre isso em nenhum dos espaços da imprensa no estado. Daí há o senso comum de que esse governo está ótimo, e uns ainda culpam os professores de "não querer trabalhar".


O que mais cansa, é o silêncio forçado dos instrumentos de comunicação, e consequentemente o silêncio induzido da população; pior ainda, as palmas induzidas dentro de nossa gaiola ratoeira chamada democracia liberal.


Incrível que eu procurei na internet algo sobre a participação do movimento grevista da área da educação, encabeçados pelo SINDUTE, e da área da saúde, pelo SINDSAÚDE, e não tem praticamente NADA informando da situação ocorrida, o que é sintomático do controle da mídia televisiva, impressa e inclusive virtual por parte da base governista no estado. Parabéns aos professores e profissionais da saúde que, contra a corrente, insistem na luta por seus DIREITOS de condições salariais e estruturais dignas para atuarem em suas áreas.


Muito coerente a postura do "Bloco Minas Sem Censura" (PRB - PCdoB - PMDB - PT ), que estão fazendo um embargo aos projetos do governo, até que este abra as negociações (negadas) com os educadores e profissionais da saúde. 
Apesar da clara motivação de uma política oposicionista em relação à base do governo, ao menos tem alguém lá dentro para a apoiar essa luta digna, legítima e necessária.


Daí eu me pergunto: esse pessoal tá fazendo isso por acreditar nessa causa, ou por serem oposição? e se não fossem desses "partidos?". E os que não vão às reuniões que vão tratar desse tema ou vão embora para invalidar votações, ou votam contra a causa dos professores? será que eles realmente não acreditam na necessidade dessa medida, dessa mínima justiça?


Não consigo crer nisso, e não consigo crer nessa política partidária que parece partir só para repartir os pedaços do bolo do poder e do capital público, para ver com quem fica as maiores fatias.


Enquanto isso, ninguém desconfia dos donos da festa, escondidos entre os berros das bolsas e os gabinetes nos altos dos prédios espalhados nos grandes centros do mundo e das metrópoles.


Canta, torquato:


Literato cantabile

agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;

não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
(não se fala. não é permitido:
mudar de idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento.



toriquato, neto




E pra não deixar eu mentir soznho, segue o documentário "Liberdade, essa palavra", sobre a censura em MG.Vale muito a pena ver, pra tirar um pouco a viseira:



                                     




 Por Igor Alves










sábado, 11 de junho de 2011

Miedo de perder-te - Torquato, neto

  Quero por que quero o meu baião da solidão, os pés no chão e as asas pra voar. E cito Duda: eu nunca sei quem está do meu lado. Pecado.

  *Repeteco: aí de mim. Copacabana. Miedo de perder-te.

  *Estou cansado: de que lado é isso? Careço: luz e força. Gáz e telefone. Manchete de jornal dessa semana: amor mata três.

  *Lembrança de uma chanchada antiga, Carequinha e Fred Costinha. Sai de baixo. Alguem aí pode me ajudar a lembrar inteira a música daquele filme? Aquela marcha, help.          

  *Minha esperança é quando eu chego em casa: respirar e brincar com Thiago. Enquanto eu estiver atento, etc. Meu lugar não é o meu refúgio: é a minha vida, começo, meio e fim.

  *Meio e fim. O fim do começo, como sempre, e o meio mesmo eu não revelo. Onde fica?
  *Sem pé nem cabeça. O filho bebia vinho e pra não beber mais vinho foi mandado para o hospício onde lhe deram uma impregnação. Foi com um grande amigo meu e não pode mais se repetir.
  *O médico pediu: deixa eu ler os teus poemas. Esse outro grande amigo meu levou os poemas para o médico julgar. O médico achou a linguagem "totalmente fragmentada" e, para que ele voltasse a escrever como muito antigamente se fazia, mandou interná-lo e impregnou a sua célua nervosa. Crítica literária.
  *Sem pé nem cabeça: Estou cansado: de que lado é isso? Do lado de dentro, certo é preciso.
  *Do Ibope: quem já morreu e não sabe? Respostas para o amigo Carlos Imperial, ali na página de t
rás.

  *Informação: o Pasquim acabou com a Flor do Mal. Sintam o drama.

  *Eu queria mesmo era sair daqui agora e ir pra Bahia, onde o verão é maneiro, transeiro e muito iluminado. Eu queria mesmo era sair daqui agora e mergulhar no mar de alguma praia de lá. Eu queria mesmo era sair daqui agora sem olhar pra trás: o Rio de dezembro sempre me apavora, é uma coisa maluca mas o que é que eu posso fazer? Miedo de perder-te. Tremendo bolero.

  *Teve um dia que eu pensei que estava pra morrer. Faz muito tempo e Deus me salvou. Eu me levantei e saí novemente pela rua, graças a Deus. Informação.
  *Por que? Porque a morte não é vingança de Deus é amor, amor, amor, amor.
  *Procure compreender melhor: o inimigo é o demônio do medo. Livrai-nos Deus Nosso Senhor. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém


Torquato, neto -
publicado na sua coluna "Geléia Geral" no Jornal do Brasil
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