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sábado, 19 de maio de 2012

Mini sentimentos para pessoas avulsas - Karol Penido

          Ao mar pedi que me desse as sensações de um cuidado. Que não fosse nem menos nem mais poesia. Que a seiva tivesse o ponto exato do doce. E que, sem os sonhos da padaria da rua de cima, acordar não teria graça. Isso faz dos padeiros seres misteriosos e inquietantes. Despertam leves suspeitas. Parecem ser pupilos das feiticeiras e das fadas. Por isso, toda manhã, como sonhos com a gula que sento a beira da praia para os meus pés brincarem na água. Enquanto isso, observo cada detalhe de possibilidades nos traços do horizonte. Os movimentos profundos das palavras a se contorcerem dentro do meu peito excitando a língua.  Infância. Sonho que se guarda no saquinho de pão para quando sentar debaixo de uma árvore, deixar a próxima folha se sobrepor no colo do tempo polvilhado de açúcar refinado.  



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mariposas e Borboletas - Karol Penido

A luz esboçada na parede
enquanto as pessoas caminham sob a claridade dos postes nas calçadas
Um encanto:
a sombra dos meus sapatos
ao tocarem a luz
dissipam-se em buracos negros
crianças descem nas estações de metrô
apoiadas nos ombros dos pais
Nos olhos fechados:
asas de borboletas
Enquanto mariposas sobrevoam meus dedos dos pés
querem me seduzir
para mais um passeio.
 
                                             *quero salvar o homem utilizando borboletas (Manoel de Barros)
 
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