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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Trindade - Wagner Vieira

 *pic: Os pastores de Arcádia - Guercino

1
“No princípio era o Verbo” (João 1:1)

 no primeiro mistério contemplamos
o brilho da luz
capaz de cegar

no segundo mistério caminhamos
pelas veredas do bosque
que vamos morar



no terceiro mistério perdemos
a vergonha na cara e disso temos
que nos envergonhar

no quarto mistério choramos
pois só assim podemos
lavar o olhar

no quinto mistério partimos
para nunca mais
voltar

*pic: Os pastores de Arcádia - Poussin
2
"O Verbo era a verdadeira luz” (João 1: 9)



no primeiro mistério contemplamos
mas é preciso
crer para ver

no segundo mistério caminhamos
pois caminhar
é o que se há de fazer

 no terceiro mistério perdemos
tendo ou não tendo
o que perder


no quarto mistério choramos
mas Deus per-
doa a quem doer

 no quinto mistério partimos
para onde?
nem queira saber

*pic: Os pastores da Arcádia - Poussin

3

 “E o Verbo se fez carne”  (João 1:14)


no primeiro mistério contemplamos
a face de quem
não me deixa mentir

no segundo mistério caminhamos
por esse jardim
que volta a florir

no terceiro mistério perdemos
a memória da imagem
que falta esculpir

no quarto mistério choramos
a dor de quem fica
e a de quem vai partir

 no quinto mistério partimos
e assim cumprimos
a sina de ir




WAGNERjoséVIEIRA
de 28/10 (Lafaiete/MG) a  2/11 (Tefé/AM)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mais amor - Wagner Vieira

LOVE, LOVE, LOVE

                   Fui ao nosso desencontro. A manhã estava fria e bonita (do jeito que eu gosto). Com pouco uma nuvem arredou dando passagem ao Sol que invadiu a braquiara e lambeu o sereno de uma forma tão erótica que eu fiquei de cara.
                   Então eu subi num toco de eucalipto, virei a cara pro oriente e, com as mãos em concha em torno da boca, berrei: LOVE, LOVE, LOVE! Meu grito esbarrou na gargante do Eco, que rosnou de bolta: MEIA, AMEI, AMEI-A!
                   EU devo ter ficado nesse transe um bom pedaço de tempo, até que me dei conta que você não viria. Desci o degrau do meu delírio, desaprumei o corpo e voltei, soturno, para o meu quarto minguante.
                   Quando cheguei me disseram que você havia ligado. Sorri comigo mesmo e fiquei alegre - eu já estava pensando que você nem tinha ligado.




SANTADOIDA

Te beijo com a doçura que é própria só do mel
Estou para você como o dedo está pro anel




*Wagner Vieira é poeta, editor e jornalista. Faz parte da Ong LESMA que trabalha com Cultura e Meio ambiente na região de Queluz de Minas. Tais poemas foram tirados do livro "O amor visto da ponte"


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