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sábado, 7 de abril de 2012

LARVASNEWS: Abril Poético já bate asas


Pois é, pessoal. Estamos meio sumidos do nonada virtual, e dessa vez não foi por acaso nem por crises depressivas.

Voltamos já para anunciar nossa parceria com esse evento bacaníssimo que já quase completa uma década e que nós, crianças no mundo da poesia e da produção cultural, nos engajamos pra ajudar fazer acontecer.




 O ABRIL POÉTICO é um circuito poético/cultural criado pelo pessoal do grupo LESMA, de Conselheiro Lafayete, e que passa por diversas cidades da região central de Minas, e agora começa uma parceria profícua e promíscua com Universidades e outros bandoleiros como nós para estender seus tentáculos para outras veredas das Minas Generais. Esse abril se iniciará em Lavras, dia 12 de abril, quinta feira, com uma programação cheia e que se incrementa a cada dia, com a prévia já nesse cartaz:




Na sexta feira 13, contra todo o azar, a trupe irá pra São João del-Rei para mais um dia com intervenções poéticas/musicais em lugares públicos, exibição de filmes e poemas, mesa redonda sobre performance poética com a professora Dr. Maria Ângela Araújo Resende e poetas Grupo Lesma e Larvas Poesia . Tudo isso antes do gran finale no centro cultural do campus CTAN com recitais de poesia e shows com a talentosíssima dupla paranaense Marcoliva Lives e Tatiane C., seguidos dos impagáveis Dos Fernandes e  muito mais:




Depois ainda teremos Campanha, Caxambú, Lafayete, Catas Altas da Noruega, Itabirito, Congonhas e mais algumas cidades, antes do encerramento em Ouro Preto, no outro final de semana, com a presença da poeta Alice Ruiz!

Em breve mais informações e ações, e ainda resenhas sobre os artistas e apresentações que integrarão o evento!

Liberdade, ainda que tarde!


Abril Poético Universitário
CAMINHOS DO SUL
(LAVRAS – SÃO JOÃO DEL REY – CAXAMBU - CAMPANHA)

PROGRAMAÇÃO:



12  de Abril  (Quinta feira)
LAVRAS

09hs – Abertura do Abril Poético Universitário.
Recital na escola Dora Matarazzo (Liga Ecológica Santa Matilde – LESMA)
12hs - Exposição de poemas (cantina)
Exposição musical (cantina)
Curta Metragem (cantina)
Canja musical: Tatiana e Marco Oliva

20:40hs - Exposição de poemas (cantina)
Exposição musical (cantina)
Alessandro Coimbra

21hs - Espaço: Manda Chuva – Bar e eventos
Recital:
TERÇA INTEVENÇÃO
LESMA
LARVAS
Guilherme c/ a performance “Na Rua”
Palco livre de poesia e música acrossallnight (Participação de poetas da cidade)

Música:
Marco Oliva e Tatiane Cobbett
Diversos
Exposições de poemas, venda de livros, zinem (stand temporário)


13 de Abril (Sexta feira)
SÃO JOÃO DEL REY

12:00hs  - Intervenção "Poesia ao pé do ouvido" (Poetas da caravana Abril Poético) (Restaurante Popular

16:00hs - Mostra de Curtas sobre poesia, cultura e história regional (Coletivo Mosca)
         Recital de Violão Clássico     anfiteatro do dom bosco)

19:00hs -  Recital LESMA (Afiteatro do dom bosco)
         Recital Larvas
         Mesa Redonda sobre Performance Poética: Prof. Dr. Maria Ângela de Araújo Resende, Representante do LESMA, Representante do Larvas

22:30hs - RockAbril Poético (Centro Cultural Em Construção - CTAN
         Fábio Pimentel
         Performance (Na Rua)
         Marcoliva e Tatiana Cobbett
         Performance  com Anderson Souza (lançando seu livro "fragmentos do inconsciente e outros poemas")
         Apresentação de Os Fernandez


 14 de Abril (Sábado)
CAXAMBU

17hs – Mostra Especial de Curtas-metragens “Mosca encontra Lesma”:ecologia, cultura história regional.

19:30hs – “Poesia na Praça”: atividades culturais na Praça XVI de Setembro (coreto). Recitais:

Recital Lesma Poesia (Conselheiro Lafaiete)
Íris Ferreira Torres (São Lourenço)
Homenagem ao Poeta Caxambuense Eustáquio Gorgone de Oliveira

20hs – “Espaço Abril Poético”: intervenções culturais e artísticas no-Bar Viking. Shows:           

Fábio Pimentel e Fernando Amarante (Lambari)
Os Fernandes (Barbacena)
Tatiana Cobbett & Marcoliva (Florianópolis)


Dia: 15 de abril de 2012 (domingo)
CAXAMBU  e CAMPANHA

09hs – “Ritmo e Poesia”: oficina de poesia e música para crianças de 7 a 14 anos, no Parque das Águas (fonte Duque de Saxe)

10hs – “Música no Parque”: roda de música e poesia no Parque das Águas com lançamento:

CD “Árvore da Vida” do Grupo Lesma
CD “Bendita Companhia”, de Tatiana Cobbett & Marcoliva

Campanha

18hs – “Poesia na Praça”: atividades culturais na Praça Central com:
Recital Lesma Poesia e Convidados

20hs – “Espaço Abril Poético”: intervenções artísticas na Praça Central, com recitais e shows:
Fábio Pimentel e Fernando Amarante (Lambari)
Íris Ferreira Torres (São Lourenço)              
Recital Lesma Poesia (Conselheiro Lafaiete)
Os Fernandes (Barbacena)
Tatiana Cobbett & Marcoliva (Florianópolis)


Dia: 16 de abril de 2012 (segunda feira)
CAMPANHA

09hs – “Ritmo e Poesia”: oficina de poesia e música para crianças na Escola Estadual Dom Othon Motta

10hs – “Música na Praça”: roda de música e poesia na Praça Central, com lançamento:
CD “Árvore da Vida” do Grupo Lesma
CD “Bendita Companhia”, de Tatiana Cobbett & Marcoliva

15:30hs – Mostra Especial de Curtas-metragens “Mosca encontra Lesma”: ecologia, cultura história regional. No Cinema da Prefeitura (garagem)

19hs – “Poesia: ações e reflexões”: mesa de discussão no Auditório da Paiva de Vilhena (Sion)
(Com participação da Prof. Dr. Maria Ângela de Araújo Resende (UFSJ), Grupo Lesma Poesia (Conselheiro Lafaiete) e Grupo Larvas (Lavras)

21hs – “Poesia na Varanda”: apresentações culturais nos jardins das Faculdades Integradas Paiva de Vilhena (Sion).
Participações de Recital Lesma Poesia, Fábio Pimentel e Fernando Amarante, Tatiana Cobbett & Marcoliva, e alunos dessa instituição.

Evoé, Baco!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mato a Dentro - Raisa Faeti

Ser

No mato eu mato o peso do dia
O método do mato é o ato

No mato eu mato essa agonia
Só existe no mato o fato

No mato eu mato a selvageria
Tudo que vive no mato é grato

No mato eu mato a monocromia
Das vidas-cores o mato é farto

No mato eu mato a dicotomia
Toda ligação no mato é um hiato

No mato, eu morto, mato tudo
em minha companhia
O que há em mim, no mato, é mato

No mato, eu morto, acordo no outro dia
O que há em mim, no mundo, no mato, é apenas
mato



Desconstrução

Se for assim,
desmonto o telhado,
desassento os tijolos,
desarrumo a cama,
desvisto as roupas,
desligo as estrelas
e durmo no escuro com a bunda de fora

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Trindade - Wagner Vieira

 *pic: Os pastores de Arcádia - Guercino

1
“No princípio era o Verbo” (João 1:1)

 no primeiro mistério contemplamos
o brilho da luz
capaz de cegar

no segundo mistério caminhamos
pelas veredas do bosque
que vamos morar



no terceiro mistério perdemos
a vergonha na cara e disso temos
que nos envergonhar

no quarto mistério choramos
pois só assim podemos
lavar o olhar

no quinto mistério partimos
para nunca mais
voltar

*pic: Os pastores de Arcádia - Poussin
2
"O Verbo era a verdadeira luz” (João 1: 9)



no primeiro mistério contemplamos
mas é preciso
crer para ver

no segundo mistério caminhamos
pois caminhar
é o que se há de fazer

 no terceiro mistério perdemos
tendo ou não tendo
o que perder


no quarto mistério choramos
mas Deus per-
doa a quem doer

 no quinto mistério partimos
para onde?
nem queira saber

*pic: Os pastores da Arcádia - Poussin

3

 “E o Verbo se fez carne”  (João 1:14)


no primeiro mistério contemplamos
a face de quem
não me deixa mentir

no segundo mistério caminhamos
por esse jardim
que volta a florir

no terceiro mistério perdemos
a memória da imagem
que falta esculpir

no quarto mistério choramos
a dor de quem fica
e a de quem vai partir

 no quinto mistério partimos
e assim cumprimos
a sina de ir




WAGNERjoséVIEIRA
de 28/10 (Lafaiete/MG) a  2/11 (Tefé/AM)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Grupo LESMA lança seu segundo CD Árvore da Vida



Imagem da capa do CD com desenho de Carolina Nogueira


“E o Senhor colocou, ao oriente do jardim do Éden, querubins armados com uma espada flamejante para guardar o caminho da árvore da vida”.
(Gênesis 3:24)


Depois de 5 anos o Grupo Lesma lança seu segundo CD. Intitulado “Árvore da Vida”, a obra tem enfoque ambiental e reúne poemas e músicas autorais. O CD foi gravado no estúdio SELF, em Lafaiete, entre os meses de julho e setembro e o lançamento está marcado para o dia 30 deste mês no Sallum, em Lafaiete, dentro da programação do Setembro Verde, realizado pela Lesma.
Vários artistas convergiram energia e criatividade em torno da proposta. A direção musical é do competente compositor Wilson Ribeiro, o “Ziquinha”. Leo Fernandes assina a direção de áudio. Os poetas participantes são Osmir Camilo, Patrícia Fonseca e Wagner Vieira. O músico Gastão Mandredinni, da banda Lord Zéfiro, de Queluzito, também participa do projeto. Os músicos convidados são Julinho do Sax, Márcio Zaum e Sandro Leyloy.
Um livro contendo as letras e os poemas, acompanha o CD, que conta com desenhos da artista plástica Carolina Nogueira e fotos de Jonathan Manassés. Marco Aurélio Lopes Correia assina a diagramação.
Conselheiro
Em 2006 o Lesma lançou seu primeiro trabalho sonoro, o CD “Conselheiro”. De lá para cá a produção editorial da entidade chega a 11 títulos, com destaque para os livros “O Amor Visto da Ponte”, de Wagner Vieira, Patrícia Fonseca e Osmir Camilo; “Lafayette Rodrigues Pereira, um ilustre queluzense”, de Allex Milagre (1971-2009) e “De Villa Real de Queluz a Conselheiro Lafaiete”, do museólogo Antônio Perdigão (1918-2010).
Serviço



O que: CD Árvore da Vida
Quando: 30 de setembro de 2011
Onde: Bar Sallum (r. Coronel Arthur Nascimento, nº 105, Centro, Conselheiro Lafaiete)

Contatos: (31) 8584-5056 / 8591-1622

E-mail: abrilpoetico@yahoo.com.br

Leonardo, Osmir e Wilson (em pé); Gastão, Wagner e Patrícia (sentados)




UM POEMA DO CD

Árvore da vida

1
Árvores da vida são aquelas cujos
galhos são capazes de ampliar (bem)
fronteiras em searas reluzentes
e gongóricas.
Árvore da vida. Única.
vocação solitária pelo consorte do eixo oriental
Tu és mater (mãe). Athos flexível.

2
Ó árvore flexível, seminal das horas
Pantera postergada no embrião das almas
Conduz pela ardência dos corpos indefesos
A côrte ostensiva aos pêlos agrupados.

Purificai! Purificai! Purificai!

Conselheiro Queliname: iara
Queliname Conselheiro: jaguara
Trazendo luz pacífica ao parque dos sinais
fazendo diapasão com foros ancestrais.

3
Árvore da vida. Árvore da vida.
Árvore dá vida. Árvore dá vida.
Inteiramente grátis.

vendo-me vendo-me vendo-me

Escuto teu nome em voz
escuta a minha
Escuta meu pedido em off
Vontade sua. desejo meu. bondade sua.

4
São pomares, hortas silvestres,
animais domésticos.

Um pomar. Único.
Saibamos antes que o pomar dos sonhos
ainda está verde, verdejante.
Caindo de maduro no céu com diamantes.
Trançando estrelas no véu das ilusões.
As ilusões.

Poema: Osmir Camilo

terça-feira, 30 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Gatos dos Aniversariantes

Hoje a vida de um dos grandes poetas Argentinos, Jorge Luis Borges que construiu sua grande carreira de poeta e ensaista é lembrada, no dia 24 de Agosto em seu 112º aniversário, e é capaz de continuar vivo com esse tanto de vida escorrendo por aí.

Neste dia tambem uma poetisa muito importante na história do Larvas tambem faz aniversário, essa ainda viva, essa com seus 25 anos de sonho, sangue e américa do sul; esta que constrói sua obra e história com poemas sensíveis, despretenciosos, simples mas que vão além da razão e da exatidão. O grupo Larvas deixa aqui tambem sua homenagem para Patricia Fonseca e deseja que a lua, vista do telhado seja sempre cheia.

À un gato

No son más silenciosos los espejos
ni más furtiva el alba aventurera;
eres, bajo la luna, esa pantera
que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
divino, te buscamos vanamente;
más remoto que el Ganges y el poniente,
tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
caricia de mi mano. Has admitido,
desde esa eternidad que ya es olvido,
el amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.
                          JORGE LUIS BORGES



     *pic: Picasso

Gatas

Presença silenciosa, delicada, arisca
Me fazem companhia
Se esfregam nos meus pés, se aconchegam no meu colo
...Até lambem meu choro
Ronronam alto para que eu possa saber a felicidade
Às vezes penso que são como eu
Avessas ao que é normal e chato
Gostar de água fria e chão limpo
Ter ração cara e escolher a caça
Finas e amorosas
Felinas, femininas
Mas quando fúria
Riscam e fazem sangrar
             PATRICIA FONSECA


*Eles cuidam da passagem do mundo de lá pro cá, eles comunicam telepaticamete, eles são lacaios das bruxas...

postagem de Murdock
com colaboração de Lais Oliveira

domingo, 14 de agosto de 2011

Frangos encaixotados - Dani R.F

Penas Vertiginosas

Caminhão na estrada
tortuosa das minas
              das serras
              no campo
             das vertentes
             das vertigens
             dos inconfidentes

um caminhão carregado
de frangos encaixotados
repleto de penas
avoando longe
              na estrada
              das serras
e os frangos
              na espera
              da promessa
              do abate

na estrada das minas
                das vertentes
o cheiro dos frangos
encaixotados
não causa fome...
                da vertigem

Uma frase de caminhão
na estrada
dos inconfidentes
e dos frangos
encaixotados


                  "Deus seja louvado"




*pic: ilustração de Ralph Steadman para o livro "revolução dos bichos"



Casamento

Há dois cômodos brancos na casa
Que separam duas vidas incomuns
e se fazem presente na estranheza do convívio relutante.

No café, a amargura do gosto quente
Mistura-se com o mau hálito do álcool na véspera
Entre um sussurro e um grito
O ódio queima as vésceras do inimigo.

À tarde, a cópula ainda indesejada
Causa violência estomacal.
O outro fica a observar como bicho faminto
As unhas vermelhas que tocam a vulva

Sem palavras e muitos ressentimentos,
Impregnado de imagens eróticas
O casal se sacia com a masturbação
E se vê obrigado a partilhar o alimento




*Dani R.F é poeta e integrante do grupo Maravaia, mais de seus escritos podem ser encontrado no blog Suburbana mente.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mais amor - Wagner Vieira

LOVE, LOVE, LOVE

                   Fui ao nosso desencontro. A manhã estava fria e bonita (do jeito que eu gosto). Com pouco uma nuvem arredou dando passagem ao Sol que invadiu a braquiara e lambeu o sereno de uma forma tão erótica que eu fiquei de cara.
                   Então eu subi num toco de eucalipto, virei a cara pro oriente e, com as mãos em concha em torno da boca, berrei: LOVE, LOVE, LOVE! Meu grito esbarrou na gargante do Eco, que rosnou de bolta: MEIA, AMEI, AMEI-A!
                   EU devo ter ficado nesse transe um bom pedaço de tempo, até que me dei conta que você não viria. Desci o degrau do meu delírio, desaprumei o corpo e voltei, soturno, para o meu quarto minguante.
                   Quando cheguei me disseram que você havia ligado. Sorri comigo mesmo e fiquei alegre - eu já estava pensando que você nem tinha ligado.




SANTADOIDA

Te beijo com a doçura que é própria só do mel
Estou para você como o dedo está pro anel




*Wagner Vieira é poeta, editor e jornalista. Faz parte da Ong LESMA que trabalha com Cultura e Meio ambiente na região de Queluz de Minas. Tais poemas foram tirados do livro "O amor visto da ponte"


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um Monstro, um Mutante, um Ciborgue, alguns Vermes e uma coisa muito, muito Podre


Putz, logo depois de escrever o título desse post me deu a maior vontade de escrever um conto, ou poema, ou qualquer coisa sobre algo radioativo que cai no meio da podridão, afeta os vermes e os transforma em monstros-mutantes, mas não. Não vou perder os focos, essa postagem é pra difundir e comentar algo sobre minhas últimas leituras e experiências estéticas, além dum contato (como se não fosse rotina) com a contra-cultura. E se vc estranhou o título é porque é disso mesmo que eu vou falar, e ainda disponibilizar o clássico do Alan Moore, Monstro do Pântano, e o Coletivo Sociedade Mutuante que lançou a coleção Vermes poéticos e ainda dentro desse livro comentar a escrita do parceiro, poeta e catunista Podrera. Ufa.

Viagem tudo isso né? E é pra viajar memo.

Foi ano passado, mais precisamente durante a 3ª Maratona BARKAÇA, que conheci o famigerado Podrera e o achei meio esquisito. Logo conversamos e vimos que cabeça com cabeça batiam pacaralho e eu entreguei um exemplar do meu fétido fascículo de livreco xerocado "Cada no seu quadrado: onde ponho uma maçã no universo?" e ele logo me presenteou com um livrinho (este impresso) todo preto, sem nome. O livro era na verdade uma coletânia de autores: Marteleto, Assis, Aires e Nunes (esse Nunes aí é o Podrera). O livro é de mais ou menos 6X4 cm e faz parte da coleção Vermes Poéticos, da editora Sociedade Mutuante. Fiquei feliz de ter contato com a contra-cultura que se expande como uma infecção em BH, porque o que nos chega muitas vezes de lá são sarauzinhos intelectualizados, livrozinhos a serem sacralizados, porra-louquices sem noção nenhuma de social, de mudança, de mutante: tudo isso com gente apontando pro próprio umbigo e dizendo "olha como sou legal!", e só.

Se der uma sacada no blog do Sociedade Mutuante, vai ver no que eles se baseiam e tque pode nos servir de materia prima, pois estamos querendo fazer algo nesse sentido, com a cara e o umbigo...
 Pelo que parece eles editam e distribuem livros, quadrinhos e zines em conjunto, fora do circuito oficial.
Pô, mas depois disso tudo caímos no livro!
As escritas dos autores representavam a mim algo incompreensível, e ele ficou jogado por cima da papelada a ser lido e relido por diversas vezes de lá até aqui (no espaço temporal).

E é aí que entra o Monstro do Pântano (Download Montro do Pântano). A leitura desse clássico do Alan Moore me fez entender um monte de coisa, não por quê disse algo, mas é porque me levou à reflexão. O Montro do Pântano pensa ser um humano que sofreu mutação por produtos químicos (em outras palavras um Monstro Mutante) mas vai descobrindo ao longo da HQ que não é um homem, é uma Planta Mutante, que absorveu a consciência de um humano, e mais pra frente descobre que tem poderes elementais, ou seja ,é um Elemental criado por magia ecológica. Logo, ELE NÃO SABE O QUE É, e pede que sua mulher o chame como as crianças o chamam: Monstro do Pântano.

Bonita a história e nada a ver com o que foi dito.
Mas com a reflexão da HQ, um dia fiquei pilhado e tomando cervejas e ouvindo Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé. e entendi que era possivel entender o que a coleção Vermes Poéticos representava: um livro sem nome, de vários autores, com textos fantásticos e completamente inusuais (inclusive um poemão de várias páginas sobre formigas no rádio-relógio).
É que não dá pra entender: eles, como o Monstro do Pântano, não sabem o que são, e são algo tão esquisito que não dá pra sacar de fronte. Assim como tudo o que tá rolando de diferente na poesia, na nova escrita... O que podemos falar desses quatro autores, que não escrevem como antigamente, é que a sua escrita é tão confortadora àqueles que foram criados zerando jogos de video-game e tão nada pra aqueles que foram formados pela literatura catedrática, e que qualquer um que tenha esses pré-requisitos: ver muita TV e achar um lixo vai sacar o que se está falando.
No mais, sobre hoje nada mais pode ser dito, resta esperar e ver, o que os senhores historiadores vão dizer, se é que podem dizer alguma coisa, sobre coletivos de gente doida publicando poesia, até mesmo sobre essa efervecência do interior de grupos, recitais e fanzines, de gente xerocando seu trabalho e vendendo, sem encanação.

O resto, o resto é silencio. O resto é o navegador offline.

Mas de resto, deixo aqui um texto do amigo Podrera que me presenteou com esses valiosos Vermes, ver mais dele é possivel aí, no blog do Podrera .

gracias

MURDOCK


X Borg K-9 (Anthraxacino)


"(...) se o heróia combate a noite e a vence,
que nele parmaneçam seus farrapos."
(Jean Genet, Diário de um ladrão, 1949)

Em minha tônica tento sobreviver em milícias
contemporâneas que não me convêm.

Consntruindo Barricadas de vítreo em meu
âmago para não mais ser surpreendido por
invisíveis que me assolam em
Batalhas perdidas no Ócio

Armando-me contra severos sequazes de
Severinos e suas hostis Doutrinas Inacabadas.

Ludibrio sobre Falácias Guerrilhas
do supra-sumo intelectual

Sofrendo em Descampados Campos de Viril
Extermínio Virtual.

Sendo refém de virtudes eclesiásticas que
Não aprovo.

Executado, sou!

Em cotidianos, pelos caprichos de prosélitos
Demagogos condecorados com suas corroídas
medelhas de alumínio zincado.

Eboscado pelo amparo da inquietude revelada
no outro.

Sou fuzilado em campos de Desconcentração
alheia.

Em QG's utópicos me realizo
usando uma notória farda de tussor nobre
que me abriga da embriaguês
Dedém-tada da estupidez humana.

Continuo alistando-me em lutas desarmadas
para anuir-me no meu (eu).




*o Monstro do Pântano nunca soube o que é, e você sabe o que está fazendo nesse mundão de deus?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Encerramento do Fórum de Integração Universitária UFLA - LESMA - Lucas F. L.

Antes do começo, um trecho que acabei de acabar e veio a calhar:

I told the super once that if he kept the garbage out on the street, perhaps the building would be less a home for vermin.
'What's vermin?' he wanted to know.
'Vermin', I told him, 'is rats and roaches and huge black bettles scrabbling at the base of the toilet when you turn on the light at night. Vermin is all the noises at night, all the clicking and scratching and scurrying through the darkness.' - Beth Nugent - City of boys

Olá você que, assim como nós, vez ou outra orbita em torno do umbigo larvense, face a face com o chão.

Devagar, como de praxe, mas em frente, saudamos o pessoal do curso de Letras e Filosofia e do DCE da UFLA, que  nos convidaram para apresentar um recital antes da palestra de encerramento do Fórum de Integração Universitária da UFLA.
Apesar de acidentes de percurso e mil contratempos, rolou um recital/sarau de umas meia hora, protagonizado principalmente pelo grupo LESMA, com seu misto de musicalidade, percussão, bom humor, delicadeza e força, exaltando as diversíssimas regiões das Minas Generais, dos Beatles e do Coração.
Cada um maior que o outro.
O recital teve ainda participação minha (Igor) e do Lucas, que mostrou sua prosa afiada de Sísifo, através de uma leitura sutil e intimista de sua escrita fotográfica (mas sem flash, sem photoshop, vez ou outra preto e branco, desfocada, de muitos planos) num momento que quebrou o gelo do palco - platéia, e levou a poesia para mais perto das pessoas. Um livro de poesia na gaveta, não adianta nada, lugar de poesia é na calçada.
Fora da prisão dos versos dos livros dos filhos da letra. E foi o que rolou. E rolou bem.
Poesia se prova com os olhos, mas também com o corpo, ouvido, tato. língua na Língua.

                              Lucas, Osmir, Patrícia, Igor e Wagner (Salão de convenções - UFLA)


Amostra grátis pra quem quiser provar com os olhos os versos do Lucas, que traz um pouco do velho Buk. Um Piva com suas asas de arcanjo radioativo cortadas.
 Hemingway versejando o cotidiano urbano do cerrado?

Ecos

Minha escrita é qualquer coisa
menos poesia
é a pura conversa fiada
não tem verdades
nem medidas
o típico papo furado
feita para descarte imediato

Sua composição
é pura maravalha
restos de um marceneiro cansado
velho, quase surdo
Que toca a vida
com seu rádio empoeirado
cheio de gambiarras
fios desencapados
de precária sintonia

É sintomaticamente feia
retirada de corpos doentes
semelhante a
apendicites
hérnias
vesículas
verrugas
e pequenos cânceres benignos

Não embala amantes
não incita a juventude
não provoca o estado
não inspira

Até poderia comercializá-la
como veneno para ratos
ou como soda para desentupir pias

Meus versos
valsam com o mal gosto.

                   
                 Lucas FL.
I

Sua Profissão não presta mais
quinze anos de enfermagem
tomando café com amputações
almoçando com a classe média inflando os seios 
e no jantar, provincianos apodrecendo 
escaras diabetes gangrenas recém-nascidos  

Passa a maioria das noites fumando
e escrevendo artigos
"A Saúde Pública e suas Mazelas"

Tem um lote de lâminas de bisturi vencidas de 1975
consome depressores
sonega impostos
maltrata prostitutas
  ____________________________________________

II

Relâmpagos trincam o céu ensanguentado
O velho cavalo no lote baldio 
_é isso...
Ele veste sua jaqueta jeans surrada
calça sua bota
e sai a procura da pior bocada da cidade

Abafada garoa
mãos nos bolsos
vapor homicida esvaindo pelas narinas
ruas de pedras

Na calada da madrugada 
debaixo de um pontilhão
um negro cruza o seu caminho
_____________________________________________

III

_Ei, você... não vai dizer "boa noite"?... _Disse Vlado.
_Tá maluco meu irmão, tu sabe com quem tá falando?! _O negro o encara.
_Não. 
_Não como viados! _O negro cospe com desprezo.
_Certo. 
_Ei, antes que eu esqueça...
_Que isso meu irmão!... abaixa essa arma aí! 
_Não precisa me agradecer!... _Vlado faz dois disparos.
_Aaahh! _ dois tiros cravados no tórax.
_Infeliz...
O enfermeiro de UTI acende outro cigarro e pega o caminho de casa.


Lucas FL.
 
Macaia

O carro 1.0 acelera pouco
procura alguma cidade miúda
debilitada pelo simplório
onde homens e mulheres sobrevivem
da pesca ilegal, da fritura de pequenas traíras
vendendo cerveja a três e cinquenta
para turistas pobres como você

Na estrada, alguns fenômenos pingados
um caroneiro cozinhando no asfalto
um caminhão impedindo sua passagem 
um andarilho em sua rotina: andar.
O vento: albina vazão...

Chegando no pequeno lugarejo 
A abatida Igreja a beira d'água”
com as portas fechadas
infestada de pombos na torre do relógio

Na margem da represa barrenta
languidez... 
Um crioulo de meia idade encostado numa monumental caminhonete
E ao seu lado
uma ninfeta amarela
sentada
abraçada com os joelhos
usando um micro biquíni vermelho
esvaziando uma lata de cerveja
e baforando seu cigarro mole

Lucas.F.L.
 Quem quiser saber mais do cronista da Grande Macaia de nossos tempos, vide:     http://prosadesisifo.blogspot.com
                                 Ponte de Macaia, construída sobre o rio Grande de 1959 a 1964
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